O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse nesta terça-feira, em Porto Alegre, que a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 não pode ser uma “bandeira eleitoral”, e que deve ocorrer a partir do próximo ano “com muita responsabilidade, calma e equilíbrio”. “Não devemos deixar que estas motivações eleitorais interfiram no interesse dos brasileiros”, comentou o presidente da Fiesp. Ele participou da 4ª edição do INDX, realizado na sede da Federação das Indústrias do RS (Fiergs).
O evento abordou a conjuntura econômica do país, reunindo ainda empresários, economistas, lideranças, demais autoridades e convidados. “Isso mexe com as pessoas. 30% do nosso contingente de trabalhadores, em torno de 45 milhões de pessoas com carteira assinada trabalham na escala 6x1. É lógico ser um sonho de todo mundo trabalhar de segunda a sexta e folgar sábado e domingo. Mas a escala 6x1 não significa necessariamente isto. Você pode ter a folga durante esta semana”, disse Skaf, justificando ser esta escala “para alguns segmentos necessária por força e necessidade”.
Sistema Fiergs realiza a quarta edição do INDX, com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf
“É um universo de variações. Esta discussão deve ser tomada com serenidade e calma, setorialmente, para que as medidas que forem tomadas sejam responsáveis, que atendam verdadeiramente a expectativa das pessoas, e não prejudique elas”, salientou. Também para ele, a guerra no Oriente Médio é uma “notícia triste”, porém “não depende de nós” e seus efeitos são imprevisíveis.
“Até lá, não podemos nos desabastecer do diesel, e não adianta assustar os importadores, com regras e proibições. Temos que ter o produto disponível. Há um esforço do governo em incentivar uma compensação, mas temos que encarar que houve uma guerra, subiu o petróleo, o diesel, e vai haver uma pressão inflacionária no mundo inteiro”.
Ainda para ele, o Banco Central precisa “se encorajar” e acelerar a redução da taxa Selic. Já o presidente do Sistema Fiergs, Cláudio Bier, afirmou que Skaf veio com “humildade para ensinar”. “Veio nos mostrar como a Fiesp conseguiu ter o poder que tem, e o mais importante, a união que estamos fazendo entre as federações, para cada vez mais aprender com eles”, disse Bier.