Economia

FMI alerta governos para ajustarem contas públicas antes de reação dos mercados financeiros

Direção do Fundo alerta que alta dos juros elevou serviço da dívida pública aos maiores níveis desde os anos 1990

Alerta do FMI ocorre em um cenário de disparada dos rendimentos de títulos soberanos globais, pressionados pela inflação persistente, endividamento público elevado e riscos de desaceleração por tensões geopolíticas e encarecimento de combustíveis
Alerta do FMI ocorre em um cenário de disparada dos rendimentos de títulos soberanos globais, pressionados pela inflação persistente, endividamento público elevado e riscos de desaceleração por tensões geopolíticas e encarecimento de combustíveis Foto : ANTHONY WALLACE / AFP

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou o tom de alerta e cobrou consolidação fiscal urgente dos governos mundiais, advertindo para a necessidade de contenção de gastos antes que os mercados financeiros imponham ajustes forçados. A declaração foi feita pelo diretor do Departamento de Assuntos Fiscais da instituição, Rodrigo Valdés, durante painel nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc. Valdés ressaltou que a mensagem do órgão mudou porque o aumento das taxas de juros deixou de ser um risco abstrato e se materializou, elevando o custo do serviço da dívida em diversas economias aos patamares mais altos desde a década de 1990.

O alerta do Fundo ocorre em um cenário de disparada dos rendimentos de títulos soberanos globais, pressionados pela inflação persistente, endividamento público elevado e riscos de desaceleração por tensões geopolíticas e encarecimento de combustíveis. A diretora-adjunta do departamento fiscal, Era Dabla-Norris, reforçou que o impacto da dívida tornou-se significativamente maior com a alta dos custos de captação.

Concorrência por crédito, IA e resiliência dos EUA

Parte da pressão sobre as finanças públicas decorre também da concorrência direta do setor privado por financiamento. O FMI aponta que a captação maciça de empresas ligadas ao boom da inteligência artificial (IA) disputa crédito com a dívida governamental. Nos Estados Unidos, a expansão de data centers de IA e a infraestrutura de energia para sustentá-los têm ajudado a manter a economia americana mais resiliente do que o previsto.

Por outro lado, a entidade adverte que os altos rendimentos praticados nos países avançados transbordam para os mercados emergentes, encarecendo e apertando as condições financeiras globais. Além disso, a eventual retração de investimentos em IA e a ocorrência de ataques cibernéticos representam ameaças diretas à estabilidade do sistema.

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Alertas de Georgieva para riscos globais e diretrizes

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que a resiliência da economia global está próxima do limite, o que aumenta o risco de complacência por parte dos gestores públicos. Georgieva destacou que o panorama internacional permanece marcado por incertezas, com guerras que impulsionam a inflação e interrompem os fluxos globais de commodities e energia. Tais gargalos, somados aos impactos do El Niño, às tensões comerciais e à retração da atividade econômica, ameaçam pressionar ainda mais os preços de alimentos e energia.

Para conter os riscos, Georgieva defendeu a urgência de colocar a casa fiscal em ordem por meio do aumento de receitas, da racionalização de gastos e do apoio focalizado às populações vulneráveis. Quanto à política monetária, a diretora-gerente recomendou que os bancos centrais mantenham foco total no controle da inflação, adotando um viés prudente e mais duro em diversos países.

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