Economia

FMI reduz estimativa da América Latina para 2,3% e prevê crescimento de 2,2% para o Brasil

Pressionada por juros elevados e alta no preço dos combustíveis, região crescerá 2,3% este ano, enquanto investimentos globais em inteligência artificial elevam projeção mundial para 3,1%

Coletiva de imprensa sobre as Perspectivas da Economia Mundial, durante as Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial (GBM)
Coletiva de imprensa sobre as Perspectivas da Economia Mundial, durante as Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial (GBM) Foto : LILLIAN SUWANRUMPHA / AFP

O cenário econômico da América Latina e do Caribe é de leve desaceleração em meio a um contexto global heterogêneo. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (13) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) durante sua assembleia geral em Bangcoc, a perspectiva de crescimento da região para este ano caiu 0,1 ponto percentual em relação à estimativa de julho, fixando-se em 2,3%, com previsão de 2,5% para 2027.

Em linhas gerais, a América Latina perde mais com o encarecimento dos combustíveis do que se beneficia do avanço tecnológico global, já que conta com pouca contribuição compensatória ligada à inteligência artificial.

No Brasil, o produto interno bruto (PIB) deve registrar um recuo no ritmo de expansão, fechando o ano em 2,2%. O Fundo aponta que o País enfrenta condições monetárias ainda restritivas para reconduzir a inflação à meta, além do encerramento de incentivos fiscais e das incertezas globais. O México, sustentado por exportações conectadas às cadeias de valor de inteligência artificial e pela estabilização de investimentos, deve crescer 1,5%.

O impacto do choque energético na região varia conforme o perfil dos Países: exportadores de petróleo como Venezuela e Guiana lideram o crescimento, com altas projetadas em 5% e 22,3%, respectivamente. A recomendação expressa do FMI para os Países latino-americanos é manter a prioridade no controle da inflação.

Investimentos em IA impulsionam projeção global

Em âmbito global, o FMI elevou a estimativa de crescimento da economia mundial em 2026 para 3,1% — alta de 0,1 ponto percentual frente ao boletim de julho. A revisão positiva é impulsionada pela expansão das economias desenvolvidas e pelo forte volume de investimentos em inteligência artificial (IA), que tem amortecido os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, ressaltou que a aceleração da IA permite sustentação no patamar de 3%, embora concentrada geograficamente. A economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, ponderou que duas forças opostas atuam na economia global: o encarecimento da energia gera choque negativo de oferta e inflação, enquanto o aporte massivo em IA atua como choque de demanda. Tenreyro alertou que, embora resiliente, a economia mundial está atingindo seus limites.

Veja Também

Desempenho por mercados regionais

O apetite global por tecnologia impulsionou Países produtores de semicondutores, como Taiwan, que projeta crescimento de 10,7% este ano. Na Ásia, a Índia deve crescer 7%, a Coreia do Sul 3,3% e o Japão 0,7%. Já as projeções para as maiores potências permanecem em 2,3% nos Estados Unidos (sem alterações) e 4,5% na China (queda de 0,1 ponto).

A zona do euro mostrou rigidez positiva ao ter sua previsão revisada para cima em 0,2 ponto, ultrapassando 1%. O movimento é puxado pela Alemanha, que esboça reação após três anos difíceis — sendo dois de recessão — e teve sua estimativa elevada em 0,6 ponto, para 1,3%. A Espanha segue como motor do bloco europeu, com expansão projetada de 2,5% (+0,4 ponto).

Em contrapartida, o norte da África e o Oriente Médio sentem diretamente os efeitos do conflito armado e caminham para a recessão. A Arábia Saudita, por exemplo, deve registrar uma contração econômica de 3,3% no ano.

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio