Economia

Guerra no Irã pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, aponta FMI

Cenário mais pessimista prevê que os preços do petróleo e do gás se mantenham elevados por muito mais tempo

FMI alerta sobre insegurança alimentar envolvendo guerra
FMI alerta sobre insegurança alimentar envolvendo guerra Foto : Marcos Santos / USP Imagens / CP

O conflito no Oriente Médio pode prejudicar a economia mundial e lançar cerca de 45 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. Esse risco, que poderia se agravar ainda mais, foi alertado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quinta-feira (9).

A diretora-geral do organismo, Kristalina Georgieva, fez esse alerta em seu tradicional discurso anterior às reuniões de primavera (no hemisfério norte) do FMI e do Banco Mundial (BM). Os encontros serão realizados em Washington de 13 a 18 de abril.

O FMI publicará na próxima terça-feira uma versão atualizada de seu relatório sobre a situação da economia mundial, levando em conta os efeitos do conflito na economia global.

Quando "deveríamos ter avançado rumo a uma revisão em alta do crescimento mundial", a guerra faz com que agora "até mesmo o nosso melhor cenário contemple uma revisão em baixa do crescimento", destacou Georgieva.

Devido à incerteza, o relatório "incluirá uma série de cenários que vão desde uma normalização relativamente rápida" da situação geopolítica. O cenário mais pessimista prevê que "os preços do petróleo e do gás se mantenham elevados por muito mais tempo e em que as consequências se consolidem".

A chefe do FMI acrescentou que a instituição prevê uma demanda adicional de ajuda por parte dos países-membros de "20 a 50 bilhões de dólares [R$ 101,4 a 253,5 bilhões]". O valor na extremidade inferior se mantém se o cessar-fogo for sustentado.

"Teria sido pior sem políticas sólidas por parte da maioria das economias emergentes [...] e contamos com os recursos necessários para fazer frente a esse choque", assegurou.

No entanto, o forte aumento dos preços da energia e as interrupções no fornecimento de petróleo, gás natural e fertilizantes geram o risco de mergulhar "pelo menos 45 milhões de pessoas" em insegurança alimentar.Isso elevaria o total "de pessoas que passam fome para mais de 360 milhões", advertiu Kristalina Georgieva."Mesmo no melhor dos casos, não haverá um retorno claro e nítido" à situação anterior ao início das hostilidades, acrescentou.

Cenários e impactos econômicos

Georgieva também apontou que esse novo choque energético poderia "colocar em dúvida a ancoragem" das expectativas de inflação do mercado. Isso desencadearia um novo e custoso ciclo de inflação para as economias globais.

"Danos à infraestrutura, interrupções na cadeia de suprimentos, perda de confiança e outros fatores são responsáveis" por essa situação. Assim, "o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura".

No entanto, os efeitos não são os mesmos em todas as regiões do planeta. Países importadores de petróleo e de baixa renda, que possuem margem fiscal mais limitada, estarão entre os mais afetados.

"Considere as nações insulares do Pacífico, no final da cadeia de suprimentos, sem saber se receberão a energia de que precisam devido a essas graves interrupções", acrescentou a diretora-geral do FMI.

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Em um relatório divulgado na quarta-feira, o Banco Mundial observou que os países do Oriente Médio pagaram "um custo econômico imediato e severo" devido à guerra.

Está prevista uma queda de 0,6 ponto percentual no crescimento da região em comparação com as projeções anteriores à guerra, chegando a 1,8% em 2026, acrescenta o BM.

Políticas recomendadas para governos

Diante dessa situação, os governos "podem ajudar de diversas maneiras", afirmou Georgieva, mas devem evitar medidas como o controle de exportações ou de preços.

No curto prazo, "é aconselhável aguardar e avaliar" a evolução da situação geopolítica. Contudo, caso as expectativas de inflação se alterem, "os bancos centrais devem agir com firmeza, elevando as taxas de juros", declarou.

Quanto às políticas orçamentárias, elas podem integrar "um apoio à demanda muito calibrado". Isso, "se e somente se os Estados dispuserem das margens necessárias", insistiu Georgieva.

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