Dados elaborados pela Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) com base nos registros da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), acenderam a “luz de alerta” para o setor. Isso porque nos últimos quatro anos, as importações de componentes aumentaram e o avanço mais expressivo ocorreu na importação de cabedais, a parte de cima do calçado. A superintendente da Assintecal, Silvana Dilly, explica que o crescimento médio das importações de componentes foi de 16,5% nos últimos quatro anos.
“A tendência é de incremento, já que em 2026, de janeiro a julho, as importações avançaram mais 14% em relação ao mesmo período do ano passado”, observa a dirigente. O desafio do aumento de importações é intensificado com a crise no mercado doméstico e internacional para fabricantes brasileiros. No primeiro semestre a produção de calçados no Brasil caiu 5,6% ante igual período de 2025. Já as exportações caíram 18% (em valor) de janeiro a julho ante igual período de 2025.
“Há menos espaço para o calçado brasileiro aqui e no exterior, o que diminui a demanda por materiais nas fábricas, uma pressão que afeta toda a cadeia produtiva”, destaca Silvana, ressaltando a urgência de articulação setorial para mitigar efeitos da concorrência das importações, em especial da Ásia. “Precisamos pensar formas de enfrentar o problema representado pela agressividade crescente das importações sobre o mercado brasileiro”, concluiu.
Dados da Abicalçados
- Dados da Assintecal com base nos registros da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que nos últimos quatro anos as importações de componentes para calçados acumularam uma alta de 84,4%, chegando a mais de 44 milhões de dólares no final de 2025, o que corresponde a R$ 226 milhões.
- O aumento mais expressivo está na importação de cabedais, a parte de cima do calçado: 92% nos últimos quatro anos.
- A participação de componentes chineses na pauta da importação subiu de 40% para 83% no mesmo período. Já no recorte dos cabedais, a participação da China chega a 86%