O Rio Grande do Sul como foco de investimentos em inteligência artificial e tecnologia foi o tema de um evento realizado nesta quarta-feira, no Tecnopuc, em Porto Alegre. Promovido pela Invest RS e o Sistema Fiergs, o seminário apresentou perspectivas de investimentos de larga escala em infraestrutura de dados no estado, liderado, por ora, pelo Scala AI City, projeto da Scala Data Centers, em Eldorado do Sul, na região Metropolitana.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentado durante o encontro, mostrou que a implantação de um único data center de 100 megawatts voltado à IA mobiliza cerca de R$ 25 bilhões em investimentos no país, potencialmente adicionando mais de 230 mil empregos permanentes e R$ 1,5 bilhão ao PIB nacional.
“A infraestrutura digital não é um tema de uma única entidade ou universidade, é um tema de Estado e de país. Temos um ecossistema de inovação maduro, universidades reconhecidas e fornecedores qualificados para posicionar o Rio Grande do Sul na vanguarda dessa transformação”, disse o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki.
O executivo da Invest RS citou também os investimentos em data centers da Parks, em Cachoeirinha, e o cabo submarino Malbec, em Balneário Pinhal, como exemplos de que o RS está preparado para esta infraestrutura da inteligência artificial. Para o diretor do Sistema Fiergs e coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia (Citec) da Fiergs, Marcus Coester, “é fundamental que a indústria gaúcha tenha participação e seja competitiva nesses projetos”.
Segundo ele, a questão ambiental não deve ser deixada de lado, porém muito do que é explanado sobre eventuais impactos ao meio ambiente se trata de “preconceito”. “Não é verdade que os sistemas de refrigeração trazem poluição ambiental. Os sistemas de refrigeração dos data centers modernos são todos em circuitos fechados, sem qualquer comunicação com lençóis freáticos ou captação de água pura do meio ambiente”, pontuou Coester.
O gerente executivo da FGV Projetos, responsável pelo estudo, o gaúcho Charles Corrêa Schramm, disse que “falar de infraestrutura digital devia ser algo recorrente em qualquer região do país”. “O Rio Grande do Sul se diferencia como um estado com mão de obra qualificada, oferta de espaço e um empreendedorismo enraizado na tradição gaúcha. Os resultados mostram que os impactos não se concentram apenas no setor de tecnologia, mas se disseminam por toda a economia, com efeitos relevantes sobre emprego, renda e produção”, comentou Schramm.