A recuperação e os desafios da logística aeroportuária no turismo e nos negócios foram tema de discussão do painel que abriu o Fórum Internacional de Infraestrutura e Logística, promovido pela Câmara Brasil-Alemanha no Rio Grande do Sul (AHK RS), que ocorre até o final da tarde desta quinta-feira no Hotel Deville, em Porto Alegre. As análises e projeções foram feitas pelo gerente de Aviação Comercial da Fraport Brasil, Pedro Navega, e pelo gerente do Terminal de Cargas Internacional André Ogg.
No Rio Grande do Sul, o atual cenário dos voos é de recuperação após a pandemia e a enchente. O ano de 2025 encerrou com 7,5 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais, e a expectativa é de que, neste ano, os dados devem chegar próximo a 8,3 milhões, se igualando aos dados de 2019. "Em 2025, a gente já superou todos os outros períodos, considerando a carga doméstica e a carga internacional juntas", destacou André.
Porém, Pedro apontou que ainda há desafios relacionados à complexidade de mercado, a falta de aeronaves e o alto preço dos combustíveis por conta dos conflitos e guerras. "A gente está falando de um custo que é absurdamente maior. O aeroporto não representa nem 3% do voo. E, no fim do dia, a gente não tem muito poder de barganha para conseguir colocar um voo. A gente pode fazer promoção, pode fazer um chamamento e tentar deixar atrativo o lugar para a empresa aérea, mas para por aí", pontuou.
"O aeroporto como um todo é uma infraestrutura que busca prover toda a necessidade que o empresariado tem na região, para que possam se conectar. Essa parte a gente tem, só que tentamos buscar algo mais, e fazer promoção para a empresa aérea", complementou Pedro. Ele também destacou que, neste ano, estão sendo retomados os voos para Montevidéu e Punta del Este. Outras conexões internacionais, como Bariloche, Santiago, Lima, Panamá e Lisboa, também estão voltando aos recordes de partidas.
Para 2026, a projeção é de 43 mil toneladas movimentadas em voos, e a perspectiva é de haver uma nova rota cargueira, que podem auxiliar no crescimento econômico, na análise de André. "A gente sabe que muitas das cargas da indústria do Rio Grande do Sul não passa pelo aeroporto, vão direto para São Paulo. A gente entende o porquê, mas temos interesse que boa parte desse volume passe pelo aeroporto. Por isso os incentivos e os investimentos que a gente tem feito em infraestrutura", disse André.
O Fórum chega à sua 14ª edição. O presidente da AHK RS, Luis Fettermann Batistela, destacou que os temas debatidos ao longo do evento são estratégicos. "Nós buscamos sempre a produtividade, o investimento e o aumento de competitividade através da infraestrutura e logística."
Batistela reforçou que o cenário no Estado é desafiador, e que o encontro tem o propósito de discuti-los entre empresários e lideranças da área de logística. "Dessa maneira, a gente consiga construir juntos caminhos e iniciativas concretas para essa área de logística."
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