Trabalhar na fortificação da entidade, apoiar na interiorização dos associados e investir na inovação são os principais pilares da gestão de Luis Fernando Batistela, novo presidente da Câmara Brasil-Alemanha do RS (AHKRS). Ele foi anunciado nesta terça-feira para o mandato de 2026-2028, após a eleição que ocorreu pela manhã, no lugar de Cleomar Prunzel.
"É de suma importância assumir a Câmara nesse momento. Temos muitos interesses de associados para defender. Temos que defender o desenvolvimento econômico do Estado e do País. Temos quase 200 associados, e em prol desses associados que nós trabalhamos no dia a dia para construir uma Câmara cada vez mais forte", disse Batistela.
Nas suas prioridades, o gestor se preocupa em oferecer benefícios aos associados, que aumentam a cada ano na entidade. Já em relação à interiorização, o novo presidente lembra que há muitas empresas no interior do estado, e que precisam de apoio. Já a inovação, Batistela afirma, é “inegociável”. “Precisamos estar nesse meio, nós precisamos estar próximo de instituições que têm expertise desse tema, como, por exemplo, o South Summit”, disse.
Cleomar Prunzel, que deixou o cargo após conduzir a entidade por quatro anos, salientou o agradecimento pelo tempo em que esteve à frente da Câmara. "Meu agradecimento pelos momentos que vou levar, pelos amigos que fiz e que vou manter. Para mim, isso não tem valor. Meu muito obrigado. Para mim foi sensacional estar à frente da Câmera por esses quatro anos".
Encontro discute crescimento e desafios de recuperação do Estado
O anúncio ocorreu durante a primeira reunião-almoço da Câmara, Shopping Iguatemi, em Porto Alegre. Além da presença de Batistela, que também é CEO da Ferramentas Gedore, e de Prunzel, que também é vice-presidente de Administração e Finanças da STIHL Brasil, o encontro também contou com a presença de Andreea Pal, CEO da Fraport Brasil e executiva com atuação internacional em infraestrutura e gestão.
Com tema “Radar RS: Cenários em Movimento”, a fala de Batistela no painel contextualizou o cenário nacional e internacional. Ele lembrou que as tensões geopolíticas são determinantes para a situação atual da economia. Entre elas, os conflitos entre Rússia e Ucrânia e o tarifaço dos Estados Unidos, que, mesmo com as renegociações, gerou turbulências no mercado. Mais recentemente, a guerra entre Estados Unidos e Irã, com impactos nas regiões arredores. O Brasil também está sendo afetado com os impactos com o fechamento do Estreito de Ormuz, implicando nos efeitos inflacionários nos derivados do petróleo e na cadeia de suprimentos. Isso tudo impacta na safra.
"A nossa próxima safra aqui pode enfrentar ainda mais problemas decorrentes disso, porque independentemente de termos as commodities, os grãos, as cotações internacionais subindo no mercado, a questão de fertilizantes é muito preocupante, assim como a falta do próprio combustível para realizar a colheita. Isso é um risco bem grande".
Andreea destacou que o Estado vem tentando se recuperar após eventos que afetaram o desenvolvimento e crescimento da economia, com a pandemia e a enchente. E que 2025 foi o ano de impulsionamento no turismo e na cadeia logística, com recordes. "2025 foi um dos melhores anos do turismo em Gramado e outras áreas do RS", diz, com o crescimento de mais de 20% em comparação com 2023. Sendo o terceiro estado do Brasil com mais recepção de turistas internacionais, o Estado recebeu mais argentinos.
O tráfego aéreo no Estado também foi recuperado após a enchente, com 7,5 milhões de passageiros, comparado com 7,46 milhões em 2023. Porém, ainda está atrás dos valores de 20019, com 8 milhões de passageiros. Porém, com a aposta no crescimento, foram contratados 120 mil trabalhadores para o setor de turismo em 2025.
Já Prunzel tratou do andamento do acordo Mercosul e União Europeia, que entra em vigor em 1º de maio. Para o Rio Grande do Sul, ele destacou o potencial na geração de biocombustíveis, e como desafio, as estratégias para a competitividade na indústria de máquinas. Ele lembrou que as intenções do acordo de Mercosul e UE foram assinadas em Canela, em 1999. "Eles construíram rapidamente e vão criar, obviamente, barreiras de limitar a quantidade de itens da pauta. Mas a gente sempre teve uma posição firme que o acordo sairia”, disse.