Economia

Novo tarifaço de Trump ameaça 21% do que Brasil exporta para os EUA; entenda

Medida pode entrar em vigor em julho; governo brasileiro descarta negociação envolvendo o Pix

A decisão dos EUA detalha investigação sobre temas como Pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal
A decisão dos EUA detalha investigação sobre temas como Pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal Foto : Kent Nishimura / AFP / CP

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros como forma de compensar "atos, políticas e práticas incoerentes" do País que "oneram ou restringem o comércio" americano. A decisão, publicada no fim da noite de segunda-feira, detalha os resultados de investigação aberta em 2025 que abrangeu temas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (especialmente o Pix), proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal no País.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) estima que a nova tarifa pode atingir 21% das exportações brasileiras para os EUA, caso seja efetivamente aplicada. "Os setores mais atingidos seriam de máquinas, equipamentos, que têm valor agregado, produtos de plástico, de madeira, esquadrilhas, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos", disse o ministro Márcio Elias Rosa.

| Foto: Arte / Leandro Maciel / CP

Segundo cálculo do Goldman Sachs com base em dados comerciais de 2025, as exportações do Brasil para os EUA representam cerca de 2% do PIB, e a tarifa média ponderada de importação sobre produtos brasileiros é hoje de 9%. "Supondo uma tarifa de 25% substituindo a tarifa atual de 10%, e com a mesma lista de isenções, a tarifa média ponderada sobre o Brasil aumentaria para aproximadamente 13,8%", estima o Goldman.

Representantes do governo brasileiro descartam qualquer negociação envolvendo o Pix, enquanto entidades empresariais se disseram preocupadas com os impactos da nova sobretaxa.

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Amparadas pela chamada Seção 301 (mecanismo que permite a Washington apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos do país), as "medidas corretivas" devem entrar em vigor até o dia 15 de julho, segundo o prazo legal dos EUA. Antes disso, no dia 6 de julho, será realizada uma audiência para debater os temas e as ações propostas.

O documento do USTR traz, porém, uma lista, que ocupa 73 páginas, de produtos que ficariam livres dessa tarifa adicional. Entre os itens excluídos, estão aeronaves e partes aeronáuticas, suco de laranja, café, celulose, fertilizantes, minerais críticos e estratégicos e insumos industriais relevantes para cadeias produtivas americanas.

| Foto: Ricardo Stuckert / PR / CP

O representante comercial americano, Jamieson Greer, declarou que ele e o presidente Donald Trump realizaram "diversas reuniões construtivas" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e "seu gabinete" ao longo do último ano. Mas que, apesar de o diálogo ter se intensificado nas últimas semanas, as partes não chegaram a um consenso sobre a "resolução das questões identificadas nesta investigação".

Nesta terça-feira, 2, Lula afirmou que espera um telefonema do presidente de Donald Trump para que ele explique a proposta do Escritório do USTR. A decisão dos EUA detalha investigação sobre temas como Pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

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