Economia

Pejotição do trabalho e escala 6x1 são destaques de debate promovido pelo Senge-RS

Evento reuniu especialistas para discutir impactos da reforma trabalhista e valorização do trabalhador

Presidente do Senge-RS, Cezar Henrique Ferreira
Presidente do Senge-RS, Cezar Henrique Ferreira Foto : Alina Souza

Em meio ao avanço de mudanças nas relações de trabalho no país, a pejotização e a discussão sobre o fim da escala 6x1 estiveram no centro do “30º Painéis da Engenharia”, promovido pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio Grande do Sul (Senge-RS), na quarta-feira, em Porto Alegre. O evento reuniu especialistas para debater os desafios atuais da valorização do trabalhador, com foco nos impactos após a reforma trabalhista e nas novas dinâmicas do mercado.

Segundo o presidente do Senge-RS, Cezar Henrique Ferreira, a proposta é aproveitar o mês do trabalhador para ampliar o debate sobre temas que extrapolam a categoria. “A gente faz um evento, não só para celebrar o Dia do Trabalhador, mas também para discutir temas relativos ao trabalho, que são relevantes para a sociedade”, afirma.

Entre os principais pontos, está o crescimento da pejotização, modelo em que profissionais são contratados como pessoas jurídicas, sem vínculo empregatício tradicional. “Trabalhadores sendo contratados por um formato que os considera como se fosse uma empresa, paga por serviço prestado sem amparo, sem apoio social e dos direitos trabalhistas”, explica.

De acordo com o dirigente, o fenômeno já impacta diretamente a engenharia. “Em torno de 25% dos engenheiros hoje sócios do sindicato não são mais trabalhadores e sim prestam serviço, a maioria deles nesta condição de pejotizados, com toda a precarização que isso possa acontecer”, ressalta.

Outro tema em evidência foi a proposta de mudança na jornada de trabalho, especialmente o debate sobre o fim da escala 6x1. Embora o impacto direto sobre os engenheiros seja limitado, o sindicato defende a importância de discutir o assunto. “É uma responsabilidade até social do sindicato em debater, trazer esse tema e se posicionar a respeito”, pontua.

Ferreira destaca que a redução da jornada já é uma tendência internacional e precisa ser analisada com cautela. “A gente tem visto esse movimento pelo mundo inteiro e sem trazer os prejuízos que são alegados. Então há necessidade da gente discutir, propor formas de transição”, afirma.

Presente no evento, o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Celso Pinheiro, destacou a necessidade de debater temas de interesse da cataegoria e de todos os trabalhadores. Para ele, a alteração da jornada de trabalho pode representar mais produtividade no Brasil. “A alteração da jornada de trabalha para o modelo 5x2 vai melhorar o desempenho do trabalhador, diminuir doenças e aumentar a produtividade. Um trabalhador que tem mais descanso, sem dúvida nenhuma, trabalha melhor, produz mais e traz mais resultado para o empregador”, opina.

Além dos temas centrais, o evento também abordou os desafios enfrentados pelo movimento sindical após a reforma trabalhista de 2017, especialmente em relação ao financiamento das entidades e à negociação coletiva. “Só se faz bons acordos com boa discussão, com segurança jurídica, sendo bom para os empregadores e bom para os trabalhadores, com um sindicato forte”, diz.

Para o presidente do Senge-RS, o debate é fundamental para pensar o desenvolvimento do país. “Nenhum país do mundo se desenvolve sem a engenharia e sem os engenheiros. Da mesma forma, nenhum país vai buscar o desenvolvimento sem valorizar os seus trabalhadores”, conclui.

A programação do Painéis de Engenharia teve como grande destaque o desembargador do Trabalho, Marcelo José Ferlin D’Ambroso, um dos mais respeitados juristas da área no país. Ele conduziu a palestra “A pejotização e a precarização do trabalho pós-reforma de 2017”, fazendo uma análise aprofundada sobre os impactos da reforma trabalhista e as novas dinâmicas do mercado.

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