Empresas do setor turístico do Rio Grande do Sul passaram a contar com uma linha de crédito específica para investimentos e capital de giro. O CrediTur RS, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), tem participação de instituições financeiras parceiras, como a Sicredi Origens, e é coordenado pelo governo estadual por meio da Secretaria de Turismo.
“Queremos dar condições para que os nossos empreendedores possam crescer, qualificar seus negócios e ampliar a capacidade de atendimento”, afirmou o secretário estadual de Turismo, Raphael Ayub.
A linha permite financiamentos de até R$ 4 milhões por CNPJ para empreendimentos cadastrados no Cadastur, do Ministério do Turismo. A linha tem prazo de pagamento de até 60 meses, com possibilidade de até seis meses de carência. Os recursos podem ser utilizados para capital de giro e investimentos, conforme a necessidade de cada empresa, sem exigência de apresentação de projetos específicos ou de comprovação posterior da destinação dos valores.
Após 90 dias de operação, o programa está sendo ampliado para a Região Metropolitana e a Serra Gaúcha, áreas com forte participação na atividade turística do Estado. Na primeira etapa, a linha foi direcionada a quatro regiões consideradas prioritárias pelo governo estadual: Litoral Norte, Costa Doce, Pampa e Vale do Taquari, que historicamente têm menor acesso a recursos para o desenvolvimento do turismo.
O programa conta com R$ 500 milhões em recursos no total. Desse montante, R$ 70 milhões são destinados a operações indiretas para o setor de turismo, realizadas por meio de instituições financeiras parceiras, e R$ 50 milhões para operações indiretas voltadas à inovação.
O gerente de Operações do BRDE, Paulo Raffin, destaca a importância da parceria com as cooperativas de crédito para ampliar o alcance da linha. Ele também defende que além de apoiar empresas já estabelecidas, a linha pode contribuir para o fortalecimento de novos destinos turísticos no Estado.
“É uma linha de crédito em condições favoráveis para que as empresas do setor possam manter e ampliar seus empreendimentos. O turismo tem se mostrado um setor estratégico na geração de novas oportunidades e empregos”, afirmou Raffin.
A Sicredi Origens estima disponibilizar cerca de R$ 20 milhões em recursos para empresas do setor turístico. Diante da procura pela linha, a cooperativa já discute com o BRDE e o governo estadual a possibilidade de ampliar o limite.
“Já tem uma proposta de expandir novamente esse recurso pela procura que tem e pela importância do turismo no nosso Estado. Provavelmente, essa semana nós vamos ter boas notícias novamente”, afirmou o diretor executivo da Sicredi Origens RS, Gerson Luis Kunkel.
Para o especialista de produtos e serviços da Sicredi Origens RS, Cristiano de Ávila, a cooperativa atua na aproximação entre os empreendedores e as instituições de fomento, buscando alternativas de crédito de acordo com a realidade de cada negócio.
“Por meio da nossa atuação com recursos de bancos de fomento, como BRDE, BNDES e Badesul, conseguimos oferecer linhas estruturadas com diferenciais importantes, como taxas competitivas, prazos mais longos e condições adequadas à realidade de cada empreendimento”, afirmou Ávila.
Contrato assinado em Viamão
Na Região Metropolitana, a Quinta da Estância é um dos empreendimentos que acessaram o financiamento. O contrato de R$ 2 milhões foi assinado nesta terça-feira, na sede da propriedade, em Viamão.
“A nossa ideia é utilizar esse recurso em várias frentes: revitalização de espaços para eventos corporativos, lançamento de novos projetos educacionais e reestruturação dos viveiros que recebem animais envolvidos com tráfico de animais silvestres”, disse o diretor da Quinta da Estância, Rafael Goelzer.
Os recursos serão destinados à revitalização de espaços para eventos corporativos, ao lançamento de novos projetos educacionais e à reestruturação dos viveiros que recebem animais silvestres.
Segundo Goelzer, linhas de crédito específicas são importantes para o setor porque os investimentos em turismo podem ter retorno mais demorado.
“Uma das maiores dificuldades que a gente tem hoje no Brasil é exatamente a linha de financiamento para desenvolvimento de projetos em turismo”, afirmou Goelzer.
Na Quinta da Estância, os recursos também serão usados na ampliação da estrutura voltada à educação ambiental e à recuperação de animais silvestres. Segundo Goelzer, o empreendimento mantém desde 1996 um criadouro conservacionista e já recebeu mais de 8 mil animais envolvidos em situações de tráfico.
Parte dos animais que não pode retornar à natureza permanece no local e integra atividades de educação ambiental. Para o secretário de Turismo, o projeto exemplifica o alcance do crédito para além da atividade turística.
“Para além do turismo, a gente está promovendo educação, sustentabilidade, cultura, história e preservação ambiental”, afirmou o secretário.