Economia

Reforma tributária exigirá o triplo de capital de giro das empresas nos primeiros 90 dias, alerta Tax Group

CEO de uma das maiores consultorias fiscais do Brasil, Luis Wulff, e sócio-diretor Hugo Smith visitaram o Correio do Povo nesta sexta-feira

Diretores da Tax Group conhecem as instalações do Correio do Povo
Diretores da Tax Group conhecem as instalações do Correio do Povo Foto : Alina Souza

A reforma tributária em curso é um desafio de comportamento mercadológico e de negócios, segundo o CEO da Tax Group, Luis Wulff, e o sócio-diretor da companhia, Hugo Smith, que participaram de um café da manhã nesta sexta-feira, na sede do Correio do Povo, recebidos pelo diretor-presidente do veículo, Marcelo Dantas, e pelo diretor comercial João Müller. A consultoria tem 350 escritórios no país e mais de 7,5 mil clientes. “Costumo dizer que a reforma tributária não é sobre tributos, é sobre como negócios e mercados irão se comportar. Em função de darmos muitos benefícios, nossa alíquota está batendo entre as maiores de IVA do mundo”, observou Wulff.

Pelo cronograma da reforma, há um período de transição entre 2027 e 2032, com a vigência plena a partir de 2033. Segundo Smith, no Brasil são gastas 1.700 horas por ano para o cumprimento de obrigações tributárias, enquanto na média global, são necessárias 150 horas anuais. Para ele, o Imposto Seletivo (IS), cuja medida provisória foi assinada pelo presidente Lula na última quarta-feira, passou a ser empregado para recompor a arrecadação do antigo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), contendo a alíquota da CBS em 11,3%, valor que já superava a projeção inicial de mercado, entre 9,1% a 9,2%.

E isso, observaram os representantes da Tax Group, muito por conta de exceções e reduções de base em itens como cesta básica, fármacos e benefícios para a Zona Franca de Manaus, que, com efeito, pressionaram as alíquotas para cima, ao contrário de cerca de 90% dos países do mundo com Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que estabeleceram alíquota única e neutralidade. “Estamos agindo politicamente nos instrumentos tributários onde deveríamos agir mais tecnicamente, olhando para a economia e para o poder de compra do consumidor", comentou Wulff.

“O grande medo do investidor é como vai ser com a reforma se cada dia temos alterações via medidas provisórias, gerando insegurança jurídica”, complementou Smith, citando um estudo da Tax Group concluindo que, nos primeiros 90 dias da reforma, as empresas vão precisar de três vezes mais capital de giro do que atualmente para financiar suas operações diárias. “O Brasil está entre os dez piores países do mundo em carga e em gestão tributária. Quanto mais complexo o país, maior é o risco e menor a atratividade para investir”, disse ele, acrescentando que a carga tributária “sempre ofuscou o investimento no Brasil”.

Ambos compararam o país com o vizinho Paraguai, que, apesar de uma crise política recente, com o pedido de renúncia do presidente Santiago Peña, ao menos há previsibilidade fiscal. “No Paraguai, passaram-se vários governos de direita e de esquerda e a lei Maquila manteve-se, e os investimentos estrangeiros só cresceram. Eles sabem como é importante para o país, independentemente do espectro político. Esse é um ponto que no Brasil muda muito. A depender da necessidade, as políticas são mais de governo do que de Estado”, afirmou o CEO.

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