Economia

Sergs Debates pauta biometano e transição energética em meio a conflitos geopolíticos

Especialistas foram convidados a falar sobre biocombustíveis, mais limpos e com maior capacidade de geração e distribuição sustentáveis

A Sergs promove o debate sobre biometano como nova fronteira de investimentos no RS
A Sergs promove o debate sobre biometano como nova fronteira de investimentos no RS Foto : Camila Cunha

A primeira edição do Sergs Debates de 2026, com temática voltada à infraestrutura foi dedicada ao biometano e suas possibilidades. O evento desta quarta-feira, promovido pela Sociedade de Engenharia do RS (Sergs) em sua sede social, no bairro Pedra Redonda, em Porto Alegre, teve a presença do coordenador de suprimento de gás da Sulgás, Marcos Gonçalves, e do gerente da qualidade do Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUCRS, Filipe Albano, mediados pela conselheira da Sergs, Daniela Cardeal.

A partir desta edição, a novidade é que a Sergs passará a divulgar manifestos sobre temas relevantes para o setor. De acordo com Daniela, o debate decorre em um momento crucial para a segurança energética global, em que os recentes conflitos no Oriente Médio, relacionados ao petróleo, colocam em discussão a necessidade da transição.

“Por mais que tenhamos bacias petrolíferas a serem exploradas ainda, ainda são movimentos que não são suficientes para promover a segurança energética necessária. Pensar em novos formatos é urgente e uma questão de segurança social”, salientou a conselheira. “Tivemos todo o sucesso na energia solar no Rio Grande do Sul, que está crescendo e hoje é nossa segunda fonte em geração energética, inclusive com a produção descentralizada. O biogás e o biometano também estão surgindo como novos modelos de geração distribuída”, acrescentou.

A Sergs promove o debate sobre biometano como nova fronteira de investimentos no RS | Foto: Camila Cunha

Questionada sobre o manifesto desta edição, ela disse que é sobre a transição energética não ser sobre uma “extinção energética”, mas uma diversificação de fontes. Marcos destacou que a Sulgás já tem sido pioneira na geração de biogás no Estado desde 2014, quando havia o recolhimento de resíduos gerados a partir dos rejeitos gerados durante a Copa do Mundo, em Porto Alegre, e no biometano desde 2022, quando assinou o primeiro contrato comercial. Este recurso começou a ser injetado na rede de distribuição de gás natural em setembro de 2025.

“Hoje, temos atualmente cerca de 30 mil metros cúbicos por dia sendo injetados na rede. São gases equivalentes, então não há problema. Com os novos projetos, buscamos ampliar a capacidade de recebimento de biometano, porque os polos de produção estão distantes dos polos de consumo. Nosso grande desafio é integrar ambos, para que a demanda e produção cheguem a um denominador comum”, salientou o coordenador.

Conforme ele, em razão da relativa novidade, o percentual do biometano ainda é incipiente em relação ao gás natural, representando pouco mais de 1% do total, porém há espaço para aumento, conforme demanda. Já Albano comentou sobre as pesquisas em andamento no IPR, dizendo que a universidade tem desenvolvido tecnologias de ponta em parcerias com grandes companhias, para, em última análise, mitigar crises climáticas e globais em geral.

Um deles, por exemplo, diz respeito à captura direta de CO2 do ar, considerado um dos mais promissores, e cuja planta, instalada em Porto Alegre, é a única do tipo da América Latina. “Nosso grande foco é a descarbonização e adição energética. O petróleo não vai deixar de ser usado, mas estamos desenvolvendo projetos no sentido de promover combustíveis mais limpos. O papel da universidade é ajudar as empresas grandes nesta pesquisa, e nosso foco é muito na questão prática”, comentou o pesquisador.

Veja Também

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio