A União Europeia (UE) limitará em 350 mil unidades por ano para as importações de veículos híbridos e híbridos plug-in fabricados na China, segundo revelou um alto funcionário do bloco. A medida, que pode entrar em vigor no início de dezembro e prevê um aumento fixo anual de 6%, busca restringir a entrada dos automóveis nos próximos quatro anos para cortar pela metade a fatia de mercado chinesa no continente. Em contrapartida, Pequim concordou em reduzir tarifas para cerca de 4 bilhões de euros em produtos europeus exportados para o país, abrangendo itens como autopeças, calçados, azeite de oliva e sorvete.
As restrições ocorrem no contexto de esforços de Bruxelas para frear o avanço dos modelos chineses, após o bloco ter avaliado a adoção de salvaguardas e sistemas de cotas. Anteriormente, o governo chinês rejeitava a ideia de limites voluntários de exportação sob a justificativa de que a prática violaria os princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC) e prejudicaria a livre concorrência.
Pequim cobra igualdade na OMC
O Ministério do Comércio da China manifestou-se nesta segunda-feira (12) exigindo que a União Europeia garanta tratamento não discriminatório no mais recente entendimento comercial sobre o setor automotivo. O órgão argumentou que a cota estipulada para a China não pode ser inferior à de outros países exportadores e reforçou a necessidade de alinhamento com as diretrizes da OMC. Pequim salientou que preserva o direito de acionar o sistema de solução de controvérsias da entidade internacional e de reivindicar compensações comerciais.
O comunicado oficial foi divulgado após rodadas de negociação realizadas em Pequim, nos dias 8 e 9 de outubro, entre o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, e o comissário de Comércio europeu, Maros Sefcovic.
Embora Pequim não tenha detalhado publicamente os números das cotas, alegou que o acordo mantém margem para a expansão de suas vendas, resgatando estatísticas da própria UE que apontam a importação de 107 mil híbridos chineses em 2024 e 302 mil em 2025. Sefcovic, por sua vez, declarou que o acerto cortará em mais da metade as exportações de híbridos da China para o mercado comunitário.
Paralelamente, a pasta chinesa abordou o processo sobre subsídios estatais a veículos elétricos, informando que a UE dará continuidade à análise de compromissos individuais de preços e revisões de procedimento, em desdobramento ao acordo firmado em janeiro para buscar uma solução negociada.