O acordo da Comissão Europeia sobre um acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul "apenas compromete" a comissão, comentou a ministra do Comércio Exterior da França, Sophie Primas, nesta sexta-feira (6).
"Claramente hoje não é o fim da história. O que acontece em Montevidéu não é uma assinatura de acordo, mas simplesmente uma conclusão política da negociação. Apenas compromete a Comissão, não os Estados-membros", afirmou em comunicado enviado à AFP.
Segundo Primas, "a Comissão assume suas responsabilidades enquanto negociadora, mas isso apenas a compromete".
Havia expectativa para o anúncio nesta semana, elevada pela presença de Von der Leyen em Montevidéu. As tratativas para o fechamento do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia se estenderam ao longo de 25 anos, tendo início ainda em 1999.
As discussões para o tratado tiveram grande avanço em 2019, quando houve um "acordo político", que acabou emperrado pela resistência de diversos países europeus, notadamente a França, que enfatizou as críticas a questões ambientais.
O tratado permitirá que estes países sul-americanos exportem carne, açúcar, arroz ou mel para a Europa. A UE poderia exportar veículos, máquinas ou produtos farmacêuticos.
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Preocupações
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, declarou que ouviu "as preocupações" do setor agrícola europeu e incluiu "salvaguardas" no texto de um acordo comercial com o Mercosul.
"Este acordo é vantajoso para os dois" blocos e "trará benefícios significativos aos consumidores e às empresas" se for aprovado, afirmou.
"Ouvimos as preocupações de nossos agricultores e agimos em conformidade. Este acordo inclui salvaguardas sólidas para proteger os nossos meios de subsistência", explicou a dirigente.