Mundo

Argentina: cientistas não acham hantavírus de cruzeiro em roedores

Ministério da Saúde informa que roedores de Mendoza não eram da espécie que transmite a cepa do vírus, que causou surto em cruzeiro MV Hondius

Hantavírus é transmitido por roedores
Hantavírus é transmitido por roedores Foto : Joel Saget / AFP / CP

Nenhum dos exemplares de roedores analisados por cientistas na província argentina de Mendoza era da espécie que pode portar a cepa de hantavírus transmissível entre humanos. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (12) pelo Ministério da Saúde do país, no âmbito da investigação sobre o surto ocorrido no cruzeiro MV Hondius.

O governo argentino realizou uma amostragem semelhante em maio na Terra do Fogo (sul). Essa província abriga Ushuaia, de onde partiu em 1º de abril o cruzeiro no qual teve origem um surto desse vírus.

Nessa investigação também não foi encontrado nenhum colilargo, como é conhecido o roedor capaz de portar a cepa Andes do hantavírus. "Na identificação preliminar realizada em campo, não foram detectados exemplares de Oligoryzomys longicaudatus, principal reservatório conhecido do vírus Andes em grande parte da região patagônica", afirmou o Ministério da Saúde em seu relatório.

Veja Também

Estudo em Malargüe

Os profissionais instalaram mais de 250 armadilhas em diferentes áreas da periferia de Malargüe, cidade pela qual passou um turista neerlandês que se acredita ter contraído o vírus antes de embarcar no cruzeiro.

Os cientistas encontraram, de forma "presuntiva", exemplares de Abrothrix olivacea, uma espécie de roedor na qual já foi documentada a presença de anticorpos da cepa Andes, embora, por enquanto, ela não seja considerada um vetor importante.

"Os estudos de campo que realizamos até o momento não apresentaram evidências que permitam confirmar que os exemplares capturados estejam infectados", afirmou a doutora Carla Bellomo, do Serviço de Biologia Molecular do Malbrán. Ela esclareceu que as análises laboratoriais das amostras obtidas ainda estão em andamento.

Situação global e cepa Andes

A Organização Mundial da Saúde contabiliza até o momento 13 casos confirmados ou prováveis de hantavírus vinculados ao surto do cruzeiro, incluindo três mortes. A cepa Andes é endêmica do sul do Chile e da Argentina e é a única conhecida por ser transmissível entre humanos.

Mendoza não registra circulação endêmica confirmada de hantavírus. Os especialistas ressaltam que o risco de propagação descontrolada permanece baixo.