Os jornalistas credenciados voltarão a entrar na Casa Rosada, sede do governo argentino, na segunda-feira, após mais de uma semana de bloqueio devido a uma denúncia de suposta espionagem, confirmou nesta quinta-feira (30) à AFP uma fonte da presidência. A medida revoga uma restrição inédita que, desde 23 de abril, impedia o acesso de cerca de 50 repórteres ao seu local habitual de trabalho, e que havia provocado críticas de associações de imprensa, líderes da oposição e da Igreja Católica.
O governo de Javier Milei havia justificado a decisão como uma medida 'preventiva', depois que a Casa Militar, responsável pela segurança da sede presidencial, promoveu uma investigação judicial contra dois jornalistas do canal Todo Noticias por terem filmado em setores supostamente restritos e sem autorização. Os jornalistas alegaram que contavam com permissão e que os locais registrados costumam ser visitados inclusive por crianças durante excursões escolares.
O jornal Ámbito Financiero apresentou, em 24 de abril, um recurso de amparo judicial, enquanto o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires (Sipreba) preparava ações semelhantes. Na segunda-feira, o monsenhor Jorge Lozano, responsável pela Comunicação Social do Episcopado, aproximou-se da Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, para expressar solidariedade com os jornalistas impedidos de entrar e fez um apelo ao diálogo.
Milei mantém uma relação áspera com a imprensa, a quem desqualifica com insultos como 'imundos' e, nas redes sociais, costuma publicar a sigla NOLSALP: 'Não odiamos o suficiente os jornalistas'.