Ativistas tibetanos e grupos de direitos humanos acusam a China de subestimar o número de mortos no deslizamento de terra nas regiões de fronteira com o Nepal. Pequim, por sua vez, classifica as acusações como uma "campanha maliciosa".
Segundo a imprensa estatal chinesa, 16 pessoas morreram no Tibete e 546 estão desaparecidas. O Ministério das Relações Exteriores afirma que a divulgação de informações tem sido "aberta, transparente e oportuna".
A agência estatal chinesa Xinhua informou nesta terça-feira (1º) que as equipes de emergência tentavam encontrar sobreviventes e trabalhavam para reabrir uma das principais estradas. A televisão estatal CCTV mostrou escavadeiras removendo escombros às margens de um rio lamacento.
O Ministério da Segurança Pública sancionou dez pessoas acusadas de divulgar desinformação na internet, sugerindo que o número de desaparecidos ou mortos pode ser muito superior aos dados oficiais. Os tibetanos no exílio contestam abertamente os números do governo.
Pequim, que em 1950 enviou tropas para esta região, considera o planalto de grande altitude parte da China. O governo chinês se opõe a qualquer atividade que considere um desafio à sua soberania. Por este motivo, jornalistas estrangeiros têm acesso restrito ao Tibete, e as autoridades chinesas exercem um rígido controle sobre as fontes de informação da região.
A Tibet Radio, com sede na vizinha Índia, afirmou ter reunido informações sobre 25 mortos na região. Desses, 15 teriam sido na zona fronteiriça e dez eram pessoas que estavam no local por motivos comerciais e profissionais.
Segundo tibetanos exilados na Índia, que mantêm contato com familiares da área de Gyirong — uma das mais afetadas — cinco vilarejos foram atingidos. Sob condição de anonimato, eles garantiram que estavam sendo realizados rituais funerários e estimaram que pelo menos 24 pessoas morreram na tragédia.
Familiares relataram que um grande número de trabalhadores de Lhasa e Shigatse estavam em uma obra de construção de uma ponte na área, e seu paradeiro é desconhecido. Estas informações vêm de tibetanos exilados, adicionando outra camada de dúvida aos dados oficiais.
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Ceticismo sobre os números
Os grupos de defesa dos direitos tibetanos também expressaram ceticismo em relação aos números divulgados pela China. Tencho Gyatso, presidente da Campanha Internacional pelo Tibete, pediu a Pequim que revelasse "informações completas e verificáveis sobre os danos e as vítimas".
O grupo afirmou que suas fontes no Tibete informavam que pelo menos quatro vilarejos haviam sido afetados, com mais de 300 casas destruídas e um grande número de moradores ainda desaparecidos.
No Nepal, a avalanche de água gelada e destroços desencadeada pelo colapso de uma geleira na fronteira entre China e Nepal em 26 de agosto deixou pelo menos 987 mortos e aproximadamente 4.000 desaparecidos.
"Como essa região também já sofreu catástrofes no passado, estes são sem dúvida sintomas de uma causa subjacente mais profunda, seja a mudança climática ou outros fatores", declarou na quinta-feira o líder espiritual budista, o Dalai-lama, que se encontra na Índia.
A construção de represas hidrelétricas pela China no Tibete e a manipulação dos rios estão entre as principais causas da catástrofe, acusou Beata Tikos, da Tibet House, um centro cultural de Nova York fundado pelo Dalai-lama. "Há uma quantidade esmagadora de documentação de primeira mão que indica que a construção de barragens agrava o derretimento das geleiras e do permafrost, que já está em curso devido ao aquecimento", acrescentou.