A guerra no Oriente Médio pode desencadear "a pior crise industrial" da história, alertou nesta quarta-feira (25) o chefe da Câmara de Comércio Internacional em Camarões.
"Do ponto de vista empresarial, acreditamos que esta poderá se tornar a pior crise industrial da história. Não apenas devido ao aumento dos preços da energia, mas também porque a própria produção industrial está sendo interrompida e desorganizada pela escassez de gás e outros insumos essenciais", afirmou John Denton, secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional.
Impactos na indústria e energia
As consequências da guerra no Oriente Médio já afetam diversos setores. "O diretor da Agência Internacional de Energia alertou que o mundo enfrenta uma crise energética mais grave do que os transtornos do petróleo da década de 1970", afirmou Denton em um painel ao lado da diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala.
No que diz respeito às empresas, o diagnóstico é alarmante. "Já estamos vendo grandes empresas invocando força maior em seus contratos de fornecimento e reduzindo sua produção, enquanto as dificuldades impactam os setores de energia, produtos químicos e outras cadeias de suprimentos críticas", explicou.
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Cadeia de suprimentos e agricultura
Teerã praticamente fechou o Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito até o início da guerra, desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro.
Segundo Denton, as consequências da crise não se limitam à indústria, mas também afetam a agricultura através do comércio de fertilizantes. "As interrupções no comércio de fertilizantes representam um risco muito real para a próxima safra, com agricultores em todo o mundo - e talvez especialmente na África - enfrentando escassez de suprimentos e aumento de preços", afirmou.
Segundo a OMC, o bloqueio do Estreito de Ormuz prejudicou o fornecimento de fertilizantes, essenciais para a agricultura global. Um terço das exportações mundiais dessas substâncias normalmente passa por essa hidrovia. "É vital que a comunidade internacional faça o possível para restabelecer a navegação comercial no Golfo com segurança" e que "aja rapidamente para mitigar os danos previsíveis à economia real", insistiu Denton.