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Caso Epstein: ex-príncipe Andrew deixa a delegacia após horas detido

Ele é suspeito de má conduta no exercício de um cargo público

Andrew deixa prisão após ser detido
Andrew deixa prisão após ser detido Foto : Adrian Dennis / AFP / CP

O ex-príncipe Andrew, do Reino Unido, deixou a delegacia, após ser detido nesta quinta-feira (19) pela polícia britânica por suspeita "de má conduta no exercício de um cargo público", em relação com o caso Epstein, reportou a rede britânica BBC.

Pouco antes das 19h30 locais (16h30 de Brasília), a emissora mostrou Andrew deixando a delegacia, localizada no condado de Norfolk, no banco traseiro de um automóvel.

Os britânicos receberam com alegria nas ruas de Londres, nesta quinta-feira (19), a prisão do ex-príncipe que, segundo eles, mostra que a monarquia não está acima da lei. "Estou satisfeita. Ele deveria ter sido preso há muito tempo", disse Emma Carter, uma advogada de 55 anos, no centro financeiro da capital britânica.

A polícia prendeu o ex-príncipe no dia em que completa 66 anos em uma acusação relacionada ao caso Epstein, no período em que ele atuou como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. Andrew foi preso devido a alegações de que teria repassado informações confidenciais ao criminoso sexual Jeffrey Epstein quando ainda ocupava o cargo, entre 2001 e 2011.

Segundo outras suspeitas, que não pautaram a detenção nesta quinta, o ex-príncipe teria mantido relações sexuais no Reino Unido com jovens que lhe teriam sido enviadas por Epstein. Emma Carter disse lembrar-se "dessas vítimas", e considera que, apesar de tudo, a prisão é "uma boa notícia para elas".

"É uma mensagem forte (...) Ele merece, se escondeu atrás dos privilégios e da popularidade da rainha [Elizabeth II, sua mãe] durante muito tempo", disse Carter. A londrina também afirmou sentir-se "triste pelo rei Charles III, que sofre de câncer e provavelmente não estava totalmente ciente do passado de seu irmão".

Distanciamento

Andrew foi descrito por décadas como o "filho preferido" de Elizabeth II, perdendo agora toda a admiração que outrora inspirava. Isso inclui seu serviço na Guerra das Malvinas contra a Argentina em 1982.

Embora possa ter sido o favorito da falecida rainha Elizabeth II entre seus quatro filhos, seu irmão mais velho, Charles III, que sucedeu a mãe no trono, procurou se distanciar à medida que a relação de Andrew com o criminoso sexual condenado Epstein veio à tona.

Em 9 de fevereiro, o atual monarca indicou estar "pronto para ajudar" nas investigações contra seu irmão, caso a polícia solicitasse.

Um porta-voz de Charles III enfatizou que "o rei deixou clara (...) sua profunda preocupação com as acusações que continuam surgindo a respeito da conduta do senhor (Andrew) Mountbatten-Windsor".

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Em agosto de 2022, a americana Virginia Giuffre, que cometeu suicídio em 2025, o acusou de tê-la agredido sexualmente três vezes em 2001, quando ela tinha 17 anos, sob a intermediação de Epstein, condenado por pedofilia e que se suicidou na prisão em agosto de 2019.

Andrew sempre negou essas acusações. Em novembro de 2019, Andrew tentou se defender sobre sua relação com Epstein em uma entrevista ao canal BBC que se transformou em um completo fiasco.

O príncipe se mostrou arrogante e sem compaixão pelas supostas vítimas do criminoso condenado. Andrew explicou que o financista lhe permitia conhecer pessoas interessantes e considerou o comportamento do amigo apenas "inadequado".