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Centenas de navios seguem bloqueados no Estreito de Ormuz

Irã insiste em taxas de travessia

Apenas 16 navios de transporte de matérias-primas cruzaram o estreito de Ormuz desde quarta-feira
Apenas 16 navios de transporte de matérias-primas cruzaram o estreito de Ormuz desde quarta-feira Foto : AFPTV STRINGER (STR) / various sources / AFP

O tráfego continuava limitado, nesta sexta-feira (10), no Estreito de Ormuz. Centenas de navios mercantes seguem bloqueados no Golfo, após a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã.

Desde essa trégua, anunciada na noite de terça para quarta-feira, sete petroleiros e nove graneleiros atravessaram essa via crucial para o comércio marítimo internacional. A passagem estava praticamente fechada pelo Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, e sua reabertura era uma condição para a suspensão provisória dos disparos.

Apenas 16 navios de transporte de matérias-primas cruzaram o estreito desde quarta-feira, segundo o site de dados marítimos Kpler. Este número é considerado muito limitado.

Desses, 10 provinham do Irã ou tinham como destino o país, mantendo a mesma proporção que antes da trégua (cerca de 60%). Os demais navios apresentavam vínculos com países não hostis à república islâmica.

Com a média de oito embarcações desse tipo por dia, o número de passagens manteve-se estável em relação ao período anterior ao cessar-fogo.

O tráfego seguia "90% abaixo dos níveis normais e era sustentado quase totalmente pelo comércio iraniano", segundo Bridget Diakun, analista da Lloyd"s List Intelligence.

As travessias deverão "manter-se em no máximo de 10 a 15 passagens diárias, caso o cessar-fogo se sustente", estimou Ana Subasic, analista da Kpler.

Das 328 passagens efetuadas por navios que transportavam matérias-primas entre 1º de março e 9 de abril, 208 correspondiam a petroleiros ou navios de transporte de gás. A maioria seguia em direção ao leste, rumo ao golfo de Omã, de acordo com dados da Kpler.

800 navios bloqueados

Cerca de 800 navios estão bloqueados no Golfo desde o fim de fevereiro, segundo o diário de informação marítima Lloyd"s List. Desses, aproximadamente 600 são navios de transporte de mercadorias de porte médio a grande.

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No total, 172 milhões de barris de petróleo bruto e produtos refinados encontravam-se no mar no Golfo em 7 de abril. Eles estavam distribuídos a bordo de cerca de 187 petroleiros, de acordo com a Kpler.

A mesma fonte contabiliza atualmente na região cerca de 40 navios de transporte de fertilizantes, carregados ou em processo de carregamento. Há também 15 de transporte de gás natural liquefeito (GNL).

O "Prix", que leva 25 mil toneladas de fertilizante sólido com destino à Tanzânia, parecia nesta sexta-feira prestes a cruzar o estreito, segundo seu sinal. Seria apenas o sétimo carregamento de fertilizantes a sair do Golfo por via marítima desde o início da guerra.

Pedágio iraniano

Desde o início da guerra, Teerã passou, na prática, a aplicar taxas para atravessar o estreito. O país pretende mantê-las no âmbito das negociações com os Estados Unidos.

Depois de ter se mostrado aparentemente aberto à ideia, o presidente americano, Donald Trump, advertiu na quinta-feira o Irã contra a instauração de qualquer pedágio. Esta opção é considerada ainda "inaceitável pela União Europeia" e divide opiniões no Golfo.

Segundo a agência Bloomberg, seria exigido dos navios o pagamento de até 2 milhões de dólares (10 milhões de reais) por travessia. O jornal Financial Times menciona a soma de um dólar por barril de petróleo, paga em criptomoedas ou em yuans, a moeda chinesa.

O Irã impôs na quinta-feira rotas alternativas para os navios que transitam pelo estreito. A alegação é de risco de minas marítimas na rota habitual, mais distante de suas costas.

A Guarda Revolucionária do Irã indicou ainda que os navios que desejarem cruzar o estreito devem fazê-lo em coordenação com as forças navais iranianas. A informação é da empresa de inteligência Vanguard Tech.