Cerca de 1,6 milhão de crianças ucranianas que vivem sob controle russo estão expostos a um sistema de doutrinação e militarização que pode construir um crime contra a humanidade, segundo especialistas independentes designados pela OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa).
O relatório foi apresentado nesta quinta-feira, 9, em Viena no âmbito do "mecanismo de Moscou" da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, para investigar a situação dos direitos humanos.
Os especialistas denunciam um sistema institucionalizado da Rússia para doutrinar essas crianças. "Consideramos (...) que este sistema poderia construir o crime contra a humanidade de perseguição", estimou o especialista francês Hervé Ascensio.
Segundo a especialista letã Elina Steinerte, as autoridades russas teriam enviado as intimações militares aos jovens dos territórios ocupados antes que aos de outras regiões da Rússia.
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Acrescentou que vários jovens entrevistados abandonaram esses territórios "sem avisar às suas famílias" para evitar o recrutamento.
O relatório, consultado pela AFP, que documenta aulas de manuseio de armas e campos de treinamento, menciona vários casos de jovens adultos que foram incorporados e enviados para a linha de frente na Ucrânia.
Os especialistas estimam que cerca de 1,6 milhão de crianças que vivem na Crimeia ou nas regiões ucranianas parcialmente ocupadas pela Rússia foram afetados.
O governo ucraniano afirma, por sua vez, que 20.610 crianças foram levadas para o território russo.