A segunda rodada de negociações entre o governo interino da Venezuela e um setor da oposição foi concluída nesta sexta-feira (25), em Caracas, com um acordo para a criação de um comitê responsável por analisar as credenciais dos candidatos a novos magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ). A iniciativa representa um primeiro passo para uma ampla reforma do sistema judicial, reivindicada pela oposição e prometida pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que governa sob pressão dos Estados Unidos. Na primeira rodada, realizada em agosto, as partes haviam acordado a renovação do sistema de Justiça, a nomeação de novos integrantes do TSJ e o desbloqueio de ativos venezuelanos na Inglaterra.
No segundo ciclo de negociações, também foi acordada a continuidade da análise de instrumentos legislativos necessários para a transformação do sistema judicial. As partes apoiaram ainda o desbloqueio de veículos de comunicação promovido pelo governo interino, apontado no documento como uma medida para fortalecer a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o direito à informação.
Os diálogos, patrocinados pelos Estados Unidos, são conduzidos por Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, e Dinorah Figuera, representante da bancada opositora que conquistou maioria legislativa em 2015. A líder opositora e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, foi excluída das conversas, mas afirmou que não pretende interferir e espera resultados concretos. Uma terceira rodada de negociações está prevista para outubro.