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China investe mais de US$ 47 bilhões para fortalecer sua indústria de chips

Este investimento estratégico reflete a crescente rivalidade entre a China e os Estados Unidos no setor de tecnologia, especialmente no que diz respeito aos semicondutores

O encontro ocorreu durante o fórum Shangri-La Dialogue, em Singapura, que reúne autoridades militares e de defesa de todo o mundo e que, nos últimos anos, se tornou um termômetro das relações entre Washington e Pequim
O encontro ocorreu durante o fórum Shangri-La Dialogue, em Singapura, que reúne autoridades militares e de defesa de todo o mundo e que, nos últimos anos, se tornou um termômetro das relações entre Washington e Pequim Foto : Noel Celis / AFP / CP

A China injetou mais de 47 bilhões de dólares (cerca de R$ 242 bilhões na cotação atual) em um fundo de investimento para fortalecer a sua indústria de circuitos integrados, visando aumentar a sua autonomia neste setor, segundo uma base de dados consultada pela AFP nesta segunda-feira. Os chips feitos de materiais semicondutores são essenciais para muitos produtos da economia moderna, desde televisões e carros até armas, telefones e a inteligência artificial.

Estes componentes estão no centro de uma rivalidade acirrada entre a China e os Estados Unidos pela sua miniaturização e pelo abastecimento de um setor altamente estratégico. Nos últimos anos, Washington colocou empresas chinesas em sua lista negativa para excluí-las das cadeias de fornecimento de tecnologia americanas e reforçou as restrições à exportação de microchips para a China.

Desde então, o gigante asiático tenta acelerar o desenvolvimento dos seus circuitos integrados, cujo desempenho ainda é inferior ao dos produzidos pelos Estados Unidos, entre outros. O Ministério das Finanças chinês, bancos estatais e várias empresas injetaram 344 bilhões de yuanes (47,48 bilhões de dólares) em um fundo nacional, segundo a base de dados Tianyancha, que compila informações na China sobre as empresas.

A fabricação de chips é extremamente complexa e envolve muitos países. Muitas etapas dependem dos Estados Unidos, assim como dos Países Baixos e do Japão, cujas empresas detêm praticamente o monopólio da produção de máquinas de litografia, indispensáveis para a miniaturização de chips em folhas finíssimas de silício.

Isto dá uma vantagem maior a estes três países que têm uma influência considerável na produção mundial. Os Países Baixos juntaram-se recentemente aos Estados Unidos e ao Japão para restringir a exportação à China de equipamentos avançados de fabricação de chips.