A China anunciou, nesta segunda-feira (12), sanções contra ministros do Paraguai e de Belize. Essas sanções são devido às relações dos países com Taiwan, uma ilha de governo autônomo que Pequim considera parte de seu território. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, declarou que "certos políticos no Paraguai e em Belize se prestaram voluntariamente a servir como peões das autoridades taiwanesas em sua tentativa de buscar a "independência" por meio de apoio externo". Em resposta, a China anunciou "medidas de retaliação para puni-los e servir de alerta para outros".
As sanções atingem o ministro paraguaio das Comunicações, Gustavo Villate, e o ministro das Relações Exteriores de Belize, Francis Fonseca. Elas incluem o congelamento de suas propriedades na China, a negação de vistos e a proibição de que organizações chinesas mantenham relações comerciais com eles, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores de Pequim. Além disso, os dois ministros estão proibidos de entrar na China, em Hong Kong e em Macau.
A Chancelaria chinesa afirmou que, tanto no Paraguai quanto em Belize, políticos "movidos por interesses pessoais apoiaram obstinadamente a manutenção de supostas relações diplomáticas" com Taiwan. Pequim acusou os ministros de "multiplicarem declarações e ações inadmissíveis em relação a questões ligadas à China, prejudicando assim os interesses fundamentais" do País. O anúncio ocorre dois dias após a celebração do Dia Nacional de Taiwan.
No domingo, Gustavo Villate publicou no X uma "saudação ao povo e ao governo da República da China (Taiwan)", reafirmando que "o Paraguai reafirma uma relação de amizade e cooperação baseada em valores e princípios compartilhados: os direitos humanos e a democracia". Este tipo de aproximação tem sido um ponto de discórdia na relação da China com Taiwan.
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Taipei busca reconhecimento internacional
Taipé conta com apenas 12 aliados diplomáticos atualmente. A China tem se esforçado para isolar a ilha, arrebatando parceiros de Taiwan nos últimos anos, o que intensifica a pressão na região. O presidente paraguaio, Santiago Peña, classificou Taiwan como um "parceiro fundamental" e visitou Taipé este ano, assinando acordos de assistência jurídica, cibersegurança e investimentos.
O ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Lin Chia-lung, também visitou Belize em setembro. Nas Américas, outros aliados de Taiwan incluem Guatemala, Haiti e algumas ilhas do Caribe.
Aliança com as Américas
No início do mês, o chanceler taiwanês liderou uma missão de 30 empresários à Guatemala. O objetivo era explorar investimentos em inteligência artificial, transporte inteligente, biotecnologia e outras áreas tecnológicas. O ministro indicou que, futuramente, esses líderes planejam uma "cooperação entre empresas" de Taiwan, dos Estados Unidos e da Guatemala. O intuito é que mais empresas taiwanesas se estabeleçam em território guatemalteco para acessar o "mercado da América do Norte", fortalecendo a economia de uma nação "independente".