O discurso de Donald Trump, presidente dos EUA, durante Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, foi marcado pelas ameaças diretas ao Irã, além de posicionamentos sobre IA, guerra entre Rússia e Ucrânia, e a defesa da soberania norte-americana. Ele foi o segundo chefe de Estado a falar, depois do discurso do presidente Lula que abriu o encontro.
O presidente dos EUA afirmou que o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico está maior agora do que em qualquer outro momento desde o início da guerra, e repetiu que um acordo com o Irã acontecerá após as eleições de meio de mandato americanas.
Segundo o republicano, a Marinha dos EUA escoltou recentemente mais de 1 bilhão de barris para fora do Estreito de Ormuz e o País poderá abastecer seus aliados com petróleo em um "ritmo muito mais rápido". "Juntos, EUA e Venezuela detêm mais de 60% do petróleo do mundo", frisou.
Trump também voltou a criticar o regime iraniano, alegando que o Líder Supremo do Irã celebrou o massacre de sete de outubro em Israel, chamando o ocorrido de "serviço à humanidade", e que Teerã massacrou mais de 72 mil de seus próprios cidadãos este ano. "Se necessário, usaremos poder militar para garantir interesses nacionais dos EUA", adicionou. "Investi US$ 1,5 trilhão nas Forças Armadas dos EUA nos últimos 12 meses", acrescentou.
O mandatário negou que Washington esteja com poucas munições e voltou a pedir que aliados ajudem na pressão contra o regime persa. "Enquanto outros falaram, eu agi. Enquanto outros falaram de paz, eu a fiz. Enquanto outros ignoraram ameaças, eu as confrontei. Enquanto outros falaram de coragem, a América a mostrou. Enquanto outros prometeram força, eu a usei para fazer da América o país mais poderoso do mundo", afirmou.
Rússia e Ucrânia
Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, o presidente americano comentou que ela será "resolvida antes do que se imagina". Trump também voltou a fazer o apelo para que países aliados deixem o "anti-americano" Tribunal Penal Internacional.
Na tarde desta terça, ele e os líderes da Groenlândia e da Dinamarca assinarão um acordo sobre a presença americana na ilha do Ártico. "Vamos construir duas grandes bases militares na Groenlândia", pontuou Trump.
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ONU
Trump ainda agradeceu ao Conselho de Segurança da ONU por votar "esmagadoramente" a favor de uma resolução condenando os "ataques terroristas desprezíveis" do Irã contra embarcações comerciais. De acordo com ele, a resolução recebeu mais copatrocinadores de nações membros da ONU do que qualquer Resolução do Conselho na história.
Trump ainda criticou os Estados-membros do Tribunal Penal Internacional (TPI) dizendo para que se retirem do órgão, que ele acusou de estar "fora de controle". "Os Estados Unidos se opõem igualmente a esta instituição fora de controle, o Tribunal Penal Internacional", declarou ele do púlpito da ONU. "Exorto todos os Estados-membros do TPI a se retirarem oficial e imediatamente", acrescentou.
Sem limites para IA e mudança de nome
Além disso, Trump disse que os americanos não irão limitar o crescimento da inteligência artificial (IA) e que o País rejeita as tentativas de um esquema global para controlar a tecnologia. Em discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Trump classificou os alertas sobre a IA como "uma farsa" e voltou a comentar que o nome "inteligência artificial" deveria ser substituído por "superinteligência". "Artificial me parece falso, não gosto", explicou.
Venezuela
O presidente também falou sobre a atuação do País em outros países como a Venezuela. "Nossas ações na Venezuela são uma prova de que não permitiremos mais que ameaças contra os Estados Unidos criem uma base de apoio em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger nossos interesses nacionais vitais", afirmou.
*Com informações do Estadão Conteúdo e da AFP