Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Jeffrey Epstein, recusou-se nesta segunda-feira (9) a responder perguntas do comitê do Congresso dos Estados Unidos que investiga os vínculos do falecido criminoso sexual com figuras poderosas, mas disse estar disposta a fazê-lo se o presidente Donald Trump conceder um indulto.
A audiência a portas fechadas e por videoconferência com Maxwell, presa no Texas, ocorreu em meio à tempestade provocada pela recente publicação de uma grande quantidade de documentos do caso Epstein. Nesta segunda-feira, o Departamento de Justiça abriu os arquivos não censurados de Epstein para revisão por membros do Congresso, depois que vários parlamentares expressaram preocupação com o fato de alguns nomes terem sido eliminados.
Uma lei de transparência, aprovada em novembro no Congresso e sancionada por Trump após pressões de seu próprio Partido Republicano, obrigou o Departamento de Justiça a divulgar todos os documentos em sua posse relacionados a Epstein, encontrado morto na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
Epstein, cuja morte foi considerada suicídio, havia sido condenado em 2008 por solicitar serviços de prostituição de uma menor. Seus extensos vínculos com políticos, celebridades e acadêmicos de todo o mundo, especialmente após sua libertação em 2009, tornaram-se politicamente explosivos em todo o planeta.
Maxwell, de 64 anos, é a única pessoa condenada por um crime relacionado a Epstein. Ela foi considerada culpada em 2021 por tráfico sexual de menores para o financista e cumpre uma pena de 20 anos de prisão. "Como era de se esperar, Ghislaine Maxwell invocou a Quinta Emenda e se recusou a responder a qualquer pergunta”, disse a jornalistas o presidente do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, James Comer.
O advogado de Maxwell, David Markus, afirmou em um comunicado que sua cliente "está disposta a falar plena e honestamente se o presidente Trump lhe conceder o indulto”. Markus também disse que Trump e o ex-presidente democrata Bill Clinton, ambos amigos de Epstein no passado, são “inocentes de qualquer delito e apenas a senhora Maxwell pode explicar o porquê”, afirmou.
O deputado democrata Suhas Subramanyam, que acompanhou o depoimento de Maxwell, avaliou que "tudo isso é uma estratégia para tentar conseguir um indulto do presidente Trump”. O Departamento de Justiça afirmou que não são esperados novos processos, mas vários líderes políticos e empresariais ficaram manchados pelo escândalo ou renunciaram depois que seus vínculos com Epstein vieram à tona nos arquivos.