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Desabamento de prédio em Gaza deixa 21 mortos, 12 crianças

Autoridades do território palestino informaram que um edifício de seis andares desabou na Cidade de Gaza nesta quarta-feira

Autoridades do território palestino informaram que um edifício de seis andares desabou na Cidade de Gaza
Autoridades do território palestino informaram que um edifício de seis andares desabou na Cidade de Gaza Foto : Omar Al-Qatta / AFP / CP

Pelo menos 21 pessoas morreram, incluindo 12 crianças, após o desabamento de um prédio de seis andares na Cidade de Gaza nesta quarta-feira, informaram as autoridades deste território palestino devastado pela guerra.

O edifício, que contava com quatro apartamentos por andar, desabou sobre casas e barracas próximas na região de Tal al Hawa, na Cidade de Gaza. A informação foi divulgada pela Defesa Civil, que atua como serviço de resgate sob a autoridade do Hamas.

O imóvel, que havia sido bombardeado várias vezes em 2024 e 2025, desabou durante a noite. Dezenas de pessoas que haviam encontrado refúgio improvisado no local dormiam no momento, o que explica o grande número de vítimas.

No hospital Al Shifa, na Cidade de Gaza, jornalistas da AFP presenciaram homens em pranto, carregando corpos de crianças envoltos em mortalhas brancas. Familiares se agachavam no chão para se despedir de seus entes queridos, beijando os rostos dos mortos em meio a soluços.

A Defesa Civil explicou que precisava trabalhar com "equipamentos limitados e ferramentas rudimentares". O órgão acusou Israel de "impedir a entrada de máquinas pesadas" na Faixa de Gaza.

"Meu amigo e meus vizinhos moram neste prédio. Vim ajudá-lo a recuperar algumas roupas e colchões. Ele já não tem nenhum abrigo, nem casa", afirmou Mohannad Al Mashharawi, um jovem que observava os trabalhos de buscas.

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"Esses prédios são bombas-relógio", destacou Ahmed Al Ajla, cujo tio e outros familiares morreram no desabamento. "A guerra não acabou porque ainda há bombas-relógio na forma de casas à beira do colapso", acrescentou.

Sem alternativa para moradia

A Defesa Civil afirmou que o prédio abrigava mais de 100 deslocados e havia sido danificado por ataques israelenses anteriores. O órgão informou que suas equipes de resgate, "após horas de trabalho árduo... retiraram os corpos de 21 pessoas que haviam ficado presas sob os escombros".

O Ministério do Interior e o Ministério da Saúde de Gaza, que operam sob a autoridade do Hamas, divulgaram o mesmo número e afirmaram que entre os mortos estavam 12 crianças e cinco mulheres. A Defesa Civil acrescentou que ajudou a transportar 45 feridos para o hospital.

O prédio foi atingido várias vezes em 2024 e em março de 2025, o que levou a alertas para que os moradores de Gaza não retornassem ao local, afirmou o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Bassal. "Eles não têm outra opção. Sem barracas, nem casas disponíveis, vivem em prédios com rachaduras e danificados, apesar do risco de desabamento", acrescentou.

Piora contínua na situação humanitária

A assessoria de imprensa do Hamas também afirmou que a dimensão da destruição no território obrigou muitas famílias a ocupar prédios danificados. "Consideramos a ocupação israelense e a comunidade internacional plena e diretamente responsáveis pela catástrofe que nosso povo palestino está sofrendo", acusou o grupo.

"Também os responsabilizamos por todas as consequências e repercussões da contínua, perigosa e sem precedentes deterioração humanitária que mais de 2,4 milhões de pessoas sofrem na Faixa de Gaza", acrescentou.

Muitos prédios neste território foram destruídos pelos bombardeios israelenses, lançados em resposta ao ataque de 7 de outubro de 2023 do movimento islamista palestino Hamas contra Israel, que matou mais de 1.200 pessoas.

A campanha de bombardeios israelenses em Gaza deixou mais de 73.000 palestinos mortos, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, sob autoridade do Hamas. A agência de Defesa Civil identificou quase 2.000 prédios na Faixa de Gaza em risco de desabamento.

O departamento de imprensa do governo de Gaza, controlado pelo Hamas, atribuiu o desabamento aos atrasos na prometida reconstrução do território. Israel permitiu a entrada de ajuda adicional na Faixa desde a declaração de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025. No entanto, o Exército do país prossegue com os ataques e restringiu a entrada de equipamentos que, segundo afirma, também poderiam ter uso militar.