O presidente de Israel, Isaac Herzog, anunciou que vai anunciar no próximo domingo quem vai encarregar de formar o novo governo do país. Depois que Gadi Eisenkot, líder da oposição, recebeu um amplo apoio parlamentar para substituir o premier Benjamin Netanyahu.
Herzog teve hoje um segundo dia de consultas com os partidos políticos após as eleições de 27 de outubro. Nas eleições, nem o direitista Netanyahu nem o centrista Eisenkot conseguiram votos suficientes para formar a maioria.
"Tenho a intenção de encarregar um membro do Parlamento de formar o governo no próximo domingo", diz Herzog em um vídeo divulgado na noite desta quinta-feira (5). Tradicionalmente, o mandato é concedido à pessoa recomendada pelo maior número de membros do Parlamento.
Sessenta e sete parlamentares se inclinaram por Eisenkot, 46 optaram por Netanyahu e 7 se abstiveram, segundo o presidente.
"Os resultados das consultas podem parecer claros, mas a autoridade que a lei me confere é determinar quem tem capacidade de formar um governo. E isso não está totalmente claro, devido aos vetos mútuos entre os blocos e dentro dos próprios blocos", explicou Herzog.
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Eisenkot recebeu o apoio das duas principais legendas árabes-israelenses, que tiveram um avanço expressivo nas eleições. Enquanto isso, Netanyahu perdeu o apoio do partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá (JUT), seu aliado há três décadas, cujos sete deputados se abstiveram.
Essa mudança pode ser atribuída à tensão em torno da questão do serviço militar obrigatório para estudantes religiosos. A forte oposição dos partidos ultraortodoxos a isso reduz ainda mais as chances de Netanyahu de receber o mandato para formar o governo.
O candidato que Herzog designar terá 28 dias para tentar formar um governo, um prazo que pode ser prorrogado por 14 dias. Se fracassar, ele encarregará outra pessoa da tarefa, e se o bloqueio persistir, novas eleições serão convocadas.
Embora o bloco contrário a Netanyahu parta como favorito, vários de seus líderes se opõem, na prática, a uma aliança com os partidos árabes. Em uma sociedade ainda marcada pelos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, aceitar a mão estendida dos palestinos de Israel poderia provocar a rejeição de parte do eleitorado judaico.
Mesmo que seja designado, Eisenkot enfrentará um quebra-cabeça para formar a maioria sem que seu bloco de oposição se fragmente. Isso ocorreria no caso de uma aliança com os partidos árabes.
Uma opção seria que Eisenkot liderasse um governo minoritário apoiado indiretamente pelos votos dos partidos árabes no Parlamento. Contudo, essa alternativa é rejeitada por um dos pilares do bloco opositor, o nacionalista Avigdor Liberman.
Netanyahu está ciente dessas reticências, o que explica seus repetidos ataques contra os partidos árabes. Ele os acusa de serem "partidários do terrorismo" e de quererem "islamizar Israel".
O primeiro-ministro também tem mantido suas acusações de fraude eleitoral maciça contra esses partidos, que acusa de terem comprado votos com dinheiro procedente do Catar. Autoridades eleitorais negaram qualquer irregularidade.
A oposição acusa Netanyahu de querer desacreditar a votação para se manter no poder. Os partidos árabes e o Catar negaram essas acusações.
Segundo alguns veículos, Herzog trabalha nos bastidores para a formação de um governo de união nacional que reúna os partidos judeus sionistas. Isso exclui os partidos árabes e ultraortodoxos.