O enviado do ex-presidente americano Donald Trump à Ucrânia, Keith Kellogg, levantou neste domingo (27) a possibilidade de que Kiev possa realizar ataques de longo alcance contra a Rússia utilizando armamentos fornecidos pelos Estados Unidos. A declaração, feita em entrevista ao canal Fox News, reflete uma notável mudança na postura de Trump em relação ao conflito.
Quando questionado se Trump havia autorizado ataques em território russo — dias após Moscou ser acusada de violar o espaço aéreo europeu —, Kellogg foi direto: "Lendo o que (Trump) disse e o que o vice-presidente (JD) Vance disse, assim como (o secretário de Estado Marco) Rubio, a resposta é sim." Kellogg acrescentou a diretriz: "Usem a capacidade de atacar em profundidade. Não há santuários."
EUA avaliam venda de mísseis tomahawk à Europa
O vice-presidente de Trump, JD Vance, também em entrevista ao mesmo canal, indicou que Washington está considerando a venda de mísseis Tomahawk de longo alcance para a Europa, com o objetivo de que sejam entregues à Ucrânia.
"Como disse o presidente (Trump), estamos considerando", disse Vance, informando que a Casa Branca está analisando "vários pedidos dos europeus". Ele ressaltou que Trump tomará "a decisão final" no "melhor interesse dos Estados Unidos".
A mudança na posição de Trump vem na sequência de uma reunião com o presidente ucraniano Volodimir Zelenski na semana passada. Após o encontro, Trump afirmou que Kiev estava em condições de lutar e devolver "toda a Ucrânia ao seu estado original" com a ajuda da União Europeia, o que contrasta com uma declaração anterior em fevereiro, quando ele havia dito a Zelenski que a Ucrânia não tinha "as cartas" para derrotar a Rússia.
Reação do Kremlin: "Não há arma mágica"
A Rússia minimizou as declarações nesta segunda-feira. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, respondeu em coletiva de imprensa que o envio de mísseis americanos não mudará o quadro do conflito.
"Não há panaceia capaz de mudar a situação nas linhas de frente para o regime de Kiev. Não há arma mágica. Sejam Tomahawks ou outros mísseis, eles não podem mudar nada", afirmou Peskov.
A Rússia anexou a Crimeia em 2014 e, após a invasão de 2022, controla vastas regiões no leste e sul da Ucrânia. O governo russo prometeu continuar sua ofensiva, rejeitando também a recente alegação de Trump de que a Rússia seria um "tigre de papel" com uma economia em crise.