A Espanha suspendeu, nesta quinta-feira (30), o estado de emergência declarado devido aos violentos incêndios florestais em torno de Madri, já que a área estava praticamente sem chamas. Enquanto isso, na França, algumas gotas de chuva e uma queda nas temperaturas alimentaram o otimismo.
Os países vizinhos sofreram alguns dos piores incêndios florestais da história recente na última semana, que devastaram vastas áreas e forçaram centenas de milhares de pessoas a evacuarem suas casas.
"Tenho 67 anos e nunca vi nada parecido (...). No caminho para cá, desabei em lágrimas", disse Jean-Claude Bonnet, um voluntário de Bordeaux.
"O pior é ver os animais queimados à beira da estrada. É uma catástrofe ecológica", lamentou.
Desde o início da semana, os bombeiros de ambos os países conseguiram conter o avanço das chamas, permitindo que dezenas de milhares de pessoas retornassem para suas casas.
Embora a chegada de uma nova onda de calor na quarta-feira tenha aumentado os temores de um aumento dos incêndios, a situação permaneceu estável e o governo espanhol decidiu "deixar para trás o estado de emergência" declarado há uma semana, anunciou o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.
Dois grandes incêndios florestais devastaram as montanhas a oeste de Madri nos últimos dias. O primeiro, na região da capital, "está praticamente extinto" e "não há focos ativos", informou a delegação do governo.
Na província vizinha de Ávila, o fogo também está sob controle. O incêndio — o maior na Espanha desde que os registros começaram em 1961 — queimou cerca de 50.000 hectares e quase se fundiu com o incêndio de Madri.
Nos arredores de San Martín de Valdeiglesias, localidade ameaçada pelos dois incêndios, um quartel de bombeiros intacto estava cercado por terra queimada, observou um repórter da AFP.
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Pelo menos 100 casas foram destruídas somente na região de Madri, segundo uma avaliação inicial, mas esse número deve aumentar, afirmou a presidente regional Isabel Díaz Ayuso.
As autoridades alertam que o risco continua "muito alto". De fato, um novo incêndio no oeste do País, perto de Portugal, forçou a retirada de mais de 600 pessoas nesta quinta-feira.
Chuva na França
No sudoeste da França, bombeiros e moradores aguardavam ansiosamente a esperada queda das temperaturas e alguma chuva para ajudar a extinguir o pior incêndio florestal do País desde 1949.
"Há trovões, isso é bom", declarou um bombeiro do município turístico de Lège-Cap-Ferret, onde começaram a cair algumas gotas de chuva.
Os bombeiros regionais mostraram-se "razoavelmente otimistas", uma vez que o incêndio declarado há uma semana não se propagou além dos 42 mil hectares desde o fim de semana.
"Esta manhã o fogo permanece estabilizado. A superfície queimada não mudou", declarou a prefeitura local em um relatório sobre a situação, indicando que há "seis focos ativos".
O incêndio obrigou à retirada de mais de 220 mil pessoas desta região turística próxima da cidade de Bordeaux, em plena alta temporada de verão, e destruiu cerca de 240 habitações.
No total, mais da metade dos deslocados não está mais sujeita a estas medidas preventivas, incluindo 84 mil autorizados a voltar para suas casas nesta quinta-feira.
Calor e seca
O chefe regional dos bombeiros, Marc Vermeulen, alertou que suas equipes ainda precisarão de vários dias para extinguir os focos de incêndio restantes na floresta de pinheiros.
A Europa tem sido atingida por sucessivas ondas de calor e uma seca severa este ano, que os cientistas atribuem às mudanças climáticas causadas pela atividade humana. O calor extremo ressecou a vegetação que havia crescido durante os períodos chuvosos no início do ano, criando condições extremamente propícias a incêndios.
Embora a atenção esteja voltada para a Europa Ocidental, a União Europeia alertou esta semana que essas condições se espalharão para o centro do continente nos próximos dias.
Na ilha grega de Creta, 8.000 pessoas tiveram que deixar suas casas na noite de quarta-feira devido a incêndios que começaram durante o dia, alimentados por ventos fortes e oscilantes, e que mataram dois bombeiros.
Na Turquia, os bombeiros combatem ao menos 115 incêndios ativos, embora as autoridades tenham indicado que 110 deles estão completamente sob controle.