A tensão no Oriente Médio voltou a aumentar nesta terça-feira após o Exército dos Estados Unidos anunciar a interceptação de mísseis iranianos lançados contra bases americanas na região. O episódio ocorreu poucas horas depois de uma reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que demonstraram alinhamento em relação à política adotada contra o Irã.
Segundo o comando militar americano para o Oriente Médio, todos os projéteis disparados pelo Irã foram neutralizados antes de atingir os alvos. A ação representa a primeira escalada significativa entre Washington e Teerã após alguns dias de relativa calma no conflito. A reação dos mercados foi imediata: os preços internacionais do petróleo avançaram mais de 3% nas primeiras negociações desta quarta-feira na Ásia.
A instabilidade também atingiu outras frentes da região. No Iêmen, os rebeldes huthis afirmaram ter atacado com mísseis um petroleiro saudita que, segundo eles, teria desrespeitado o bloqueio naval imposto ao reino. O grupo conta com apoio do Irã e amplia a participação iemenita em um conflito que já envolve Estados Unidos, Israel e aliados árabes.
A Arábia Saudita informou ter interceptado drones que tinham como alvo instalações petrolíferas no leste do país. O Ministério da Defesa saudita acusou grupos ligados ao Irã de lançar os equipamentos a partir do Iraque pelo segundo dia consecutivo. Posteriormente, o Exército dos Estados Unidos confirmou que aviões americanos e sauditas realizaram ataques contra milícias pró-Irã em território iraquiano, após mais de 20 investidas com drones registradas nos últimos dias.
Em meio à escalada militar, Trump recebeu Netanyahu na Casa Branca. O encontro, descrito por ambos como positivo, foi o primeiro desde o início da atual guerra regional. A relação entre os dois líderes havia enfrentado atritos nos últimos meses, especialmente durante negociações de cessar-fogo com Teerã. Apesar disso, o premiê israelense classificou a conversa como uma das melhores já realizadas com o presidente americano e destacou o compromisso conjunto de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
A visita ocorreu em um momento considerado decisivo para a região. O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, afirmou que o Irã continua priorizando ações hostis e mantendo restrições à navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo. Ao mesmo tempo, Washington afirma que ainda busca uma solução diplomática para o conflito, mesmo após semanas de confrontos e bombardeios.
Além da questão nuclear iraniana, os dois governos discutiram o futuro da Faixa de Gaza. Veículos israelenses informaram que o gabinete de segurança de Israel aprovou um marco legal que permite o envio de uma Força Internacional de Estabilização ao território palestino após o término da guerra. A medida é vista como um gesto em direção aos Estados Unidos, que defendem uma estrutura internacional para administrar a região no período pós-conflito.
Ao comentar informações sobre supostas instalações nucleares iranianas na montanha de Kolang, Trump adotou um tom duro. Em entrevista à emissora Fox News, o presidente afirmou que acompanha de perto a situação e declarou que, caso não haja acordo com Teerã, os Estados Unidos poderiam destruir o local "muito facilmente". A declaração reforça o clima de tensão em uma região que continua no centro das preocupações diplomáticas e econômicas globais.