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EUA diz que neutralizou drones de narcotraficantes mexicanos após fechar aeroporto

Incidente na fronteira com o México leva à paralisação do aeroporto de El Paso e gera questionamentos

Ainda que os países cooperem contra o narcotráfico, Trump já advertiu diversas vezes que não descarta algum tipo de ação militar ao sul da fronteira americana
Ainda que os países cooperem contra o narcotráfico, Trump já advertiu diversas vezes que não descarta algum tipo de ação militar ao sul da fronteira americana Foto : Andrew Caballero-Reynolds / AFP / CP

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (11) que neutralizou drones de cartéis mexicanos na fronteira, um incidente que levou ao fechamento por algumas horas do aeroporto da cidade de El Paso, no Texas.

Deputados democratas questionaram a versão oficial e sugeriram que o incidente poderia ter sido causado pelas próprias operações militares do Pentágono naquela área.

Estados Unidos e México mantêm uma cooperação estreita contra o narcotráfico, mas o presidente Donald Trump advertiu diversas vezes que não descarta algum tipo de ação militar ao sul da fronteira americana.

A Administração Federal de Aviação (FAA) e o Pentágono "reagiram rapidamente para enfrentar uma incursão de drones pertencentes a um cartel", publicou no X o secretário de Transportes, Sean Duffy. "A ameaça foi neutralizada e não existe qualquer perigo para o tráfego comercial na região", acrescentou.

A FAA havia anunciado durante a madrugada o fechamento do aeroporto de El Paso, um dos mais importantes do sul dos Estados Unidos, por dez dias, uma medida excepcional.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que não tinha informações sobre o uso de drones na fronteira, e reiterou que há uma "comunicação constante" entre os dois governos.

"A informação procedente do governo não coincide com a que pude apurar durante a noite e na manhã de hoje", disse deputada democrata Veronica Escobar.

Outros opositores, membros do comitê de Transportes da Câmara dos Representantes, sugeriram que o Pentágono pode ter sido responsável pela situação. A legislação atual permite às Forças Armadas "agir de forma imprudente no espaço aéreo público", declararam os congressistas Rick Larsen e André Carson.

“Decisão desnecessária”

Todas as companhias aéreas tiveram que suspender seus voos com chegada ou partida em El Paso, localizada na fronteira com a mexicana Ciudad Juárez. A restrição de sobrevoo do espaço aéreo, que durou algumas horas, também afetou a localidade de Santa Teresa, no estado vizinho do Novo México.

"Essa decisão desnecessária gerou caos e confusão na comunidade de El Paso", criticou o prefeito da cidade, Renard Johnson. Segundo ele, não houve coordenação com as autoridades locais, e esse tipo de decisão não era tomada desde 11 de setembro de 2001, quando ocorreram os ataques jihadistas nos Estados Unidos.

O aeroporto de El Paso recebeu 3,49 milhões de passageiros durante os 11 primeiros meses de 2025. As principais companhias aéreas americanas, entre elas Southwest, Delta, United e American, atendem essa importante cidade do sul do país.

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“Muito triste”

O presidente Donald Trump advertiu em várias ocasiões que está disposto a intervir a qualquer momento contra alvos que qualifica como "narcoterroristas". "Os cartéis mandam no México. É muito, muito triste ver e observar o que aconteceu nesse país", declarou recentemente à rede Fox News.

O governo mexicano entregou dezenas de chefes e integrantes de cartéis à Justiça americana e afirma ter aumentado as apreensões de fentanil, a droga que mais causa problemas de saúde nos Estados Unidos.

Em setembro, o Pentágono iniciou uma campanha de ataques contra supostas lanchas de narcotraficantes no Caribe e no Pacífico, que já deixou mais de 100 vítimas.

Em 16 de janeiro, a FAA alertou para a "atividade militar" no espaço aéreo de certas regiões, especialmente perto do México e de países da América Central e do Sul, e pediu que se redobre a precaução. Na ocasião, a agência mencionou "situações potencialmente perigosas", que também poderiam perturbar os sistemas de navegação por satélite. O alerta abrangia um período de 60 dias.