Após semanas de ameaças, Estados Unidos e Israel lançaram, neste sábado (28), um ataque "de grande envergadura" contra o Irã. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades iranianas, intensificando o conflito na região.
Entre os alvos da chamada operação "Fúria Épica", estão o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, no poder desde 1989, e o presidente Masoud Pezeshkian, segundo a rádio-televisão pública israelense. O presidente americano, Donald Trump, anunciou o ataque, afirmando que "este regime terrorista não pode nunca ter uma arma atômica".
O presidente republicano apresentou esta campanha "maciça" como uma "missão nobre", admitindo que seu País poderia sofrer baixas. Em retaliação, o Irã respondeu lançando mísseis e drones contra Israel e ataques contra bases americanas em vários países da região, conforme afirmou a Guarda Revolucionária.
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Região em chamas e primeiros relatos de mortos
Correspondentes da AFP reportaram explosões em Jerusalém, mas também em outros países da região, como Emirados Árabes, Catar, Kuwait, Arábia Saudita e Bahrein. Nestes locais, um ataque com mísseis atingiu instalações da V Frota americana.
Os primeiros mortos reportados foram 24 alunos em um ataque israelense que atingiu uma escola no sul do Irã, segundo uma autoridade local. Por sua vez, o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos anunciou a morte de um civil na queda de destroços de mísseis em Abu Dhabi.
Em Teerã, uma coluna de fumaça foi vista no bairro Pasteur, onde ficam a residência do guia supremo, aiatolá Ali Khamenei, e a sede da Presidência. Testemunhas ouviram pelo menos três explosões na região. Perto da residência de Khamenei, um forte dispositivo de segurança e ruas bloqueadas foram constatados por um jornalista da AFP.
As comunicações foram afetadas, com chamadas telefônicas interrompidas e conexão à internet cortada, conforme informou o site especializado NetBlocks. Em discurso de sua residência em Palm Beach, na Flórida, Donald Trump anunciou ataques de "grande envergadura" para "eliminar ameaças iminentes" causadas pelo Irã.
Seu aliado, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, assinalou que a operação busca "eliminar a ameaça existencial" que a república islâmica representa. Fontes de segurança israelense disseram que a operação responde à "aceleração" da produção de mísseis balísticos por parte do Irã e que continuará "tanto tempo quanto for necessário".
Trump convoca iranianos à liberdade
'A hora da sua liberdade está ao alcance da mão', disse Trump aos iranianos, a quem exortou a "tomar o controle" de seu governo. "Vamos destruir seus mísseis e arrasar por completo sua indústria de mísseis", afirmou. "Ficará totalmente aniquilada, de novo. Vamos aniquilar sua Marinha".
O presidente americano ofereceu aos dirigentes militares do Irã "imunidade" caso se rendam, ou uma "morte certa" se não o fizerem. Netanyahu repercutiu este chamado, dizendo aos iranianos que havia chegado o momento de "sacudir o jugo da tirania".
"Estamos muito perto da vitória final", afirmou, em mensagem de vídeo difundida online, o filho do falecido xá do Irã, Reza Pahlavi. Ele disse querer estar ao lado dos iranianos para "recuperar e reconstruir o Irã", pronto para conduzir uma transição política. Pahlavi vive no exílio nos Estados Unidos.
O exército israelense afirmou que os ataques impactaram dezenas de instalações militares e foram resultado de meses de planejamento conjunto com os Estados Unidos. A TV estatal iraniana reportou que o presidente Pezeshkian está "são e salvo".
A agência de notícias Fars assinalou que "foram registrados sete impactos de mísseis nos distritos de Keshvardoost e Pasteur", em Teerã. "Vi dois mísseis Tomahawk voando horizontalmente", disse à AFP um trabalhador de um escritório sob condição de anonimato. "A princípio ouvimos um ruído abafado e pensamos que se tratasse de um avião de combate", acrescentou.
Bloqueios aéreos e sirenes em Jerusalém
Irã, Israel, Iraque, Síria e Catar fecharam seus espaços aéreos ao tráfego civil. Várias empresas aéreas anunciaram a suspensão de voos para a região. Em Jerusalém, foram ouvidas explosões após as sirenes antiaéreas soarem.
O exército israelense informou ter identificado "mísseis lançados do Irã rumo ao Estado de Israel". Uma mensagem foi enviada aos celulares da população, urgindo que buscassem refúgio.
Irã e Estados Unidos lançaram esta semana a terceira rodada de negociações com mediação de Omã, considerada uma última tentativa para evitar a guerra. Washington quer impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, um temor das potências ocidentais, negado reiteradamente por Teerã.
Em 19 de fevereiro, Donald Trump deu um ultimato de 10 a 15 dias para decidir se era possível um acordo ou se recorreria à força. Em janeiro, surgiram novas tensões entre Washington e Teerã, quando o Irã reprimiu violentamente os protestos multitudinários que desafiaram o poder dos aiatolás na república islâmica.
Trump ameaçou, então, intervir no País para "ajudar" o povo iraniano. Em junho de 2025, Israel e Irã se enfrentaram em uma guerra de 12 dias, desencadeada por um ataque sem precedentes de Israel contra o alto comando militar iraniano, assim como contra lança-mísseis e instalações vinculadas ao programa nuclear da república islâmica. Os Estados Unidos se somaram à operação militar de seu aliado, atacando três instalações nucleares iranianas.