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EUA exige que aliados e China apoiem sua guerra econômica contra o Irã

Teerã classifica medidas de "terrorismo econômico" e prevê fracasso da estratégia norte-americana

EUA exige que aliados e China apoiem sua guerra econômica contra o Irã
EUA exige que aliados e China apoiem sua guerra econômica contra o Irã Foto : Samuel Corum / Getty Images via AFP / CP

Os Estados Unidos exigiram, nesta quinta-feira, de seus aliados e da China que se juntem à nova campanha do presidente Donald Trump para isolar a economia iraniana e provocar "o colapso" do governo de Teerã. O Irã classificou as ameaças dos Estados Unidos como "terrorismo econômico" e afirmou que elas fracassariam.

Trump anunciou na quarta-feira que a "operação econômica" contra o Irã seria "arrasadora", em uma longa mensagem publicada na Truth Social. Ele também advertiu que qualquer país que "ofereça qualquer tipo de tábua de salvação ao Irã enfrentará, por sua vez, enormes consequências econômicas".

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, ressaltou que Trump está passando de exercer pressão militar para exercer pressão econômica sobre Teerã, enquanto sua impopular guerra se aproxima dos seis meses.

"Vai funcionar no Irã e vai fazer o regime entrar em colapso", disse Bessent ao canal CNBC. "Será a maior operação de isolamento econômico coordenado da história mundial", acrescentou.

Questionado sobre seus aliados, Bessent lançou um alerta: "(Estão) conosco ou contra nós". "Qualquer vínculo remanescente com Teerã acelerará o desaparecimento econômico de uma nação, quer esse vínculo tenha sido estabelecido deliberadamente ou ignorado de forma consciente", declarou Bessent no X.

Nem Trump nem seu secretário do Tesouro detalharam as medidas que pretendem adotar contra o Irã. Bessent indicou que fornecerá mais informações durante uma coletiva de imprensa na próxima segunda-feira.

"Estamos agora em uma nova fase em que a ferramenta mais eficaz de que dispomos é a pressão econômica que podemos exercer sobre eles", disse o vice-presidente JD Vance em um podcast conservador.

O plano contra o Irã significa que é menos provável que os Estados Unidos voltem a realizar operações militares de grande escala contra o país, explicou Bessent.

Perguntado se os Estados Unidos pressionariam a China, o secretário afirmou que "é melhor ter muitas conversas em privado", mas incentivou Pequim a "se juntar ao plano". O presidente chinês, Xi Jinping, visitará Trump na Casa Branca em 24 de setembro.

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Terrorismo econômico

O Irã, por sua vez, acusou os Estados Unidos de "terrorismo econômico" e de "crimes contra a humanidade".

"Sem dúvida, as sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã, que atacam os direitos humanos fundamentais de cada cidadão iraniano, constituem um caso de "terrorismo econômico" e de "crimes contra a humanidade"", declarou o Ministério das Relações Exteriores do Irã em um comunicado divulgado pela imprensa estatal.

Durante esse conflito, desencadeado pelos ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro, Trump multiplicou as declarações incendiárias e as mudanças de posição.

No entanto, entre a impopularidade da guerra no cenário político americano e os estoques reduzidos de munição, o imprevisível magnata republicano parece ter optado recentemente por uma postura mais cautelosa.

De fato, as hostilidades diminuíram no âmbito militar, apesar de a guerra ter sido retomada no mês passado e de um protocolo de acordo assinado em junho ter ido pelos ares.

Trump disse no início desta semana que as conversas com o Irã estavam suspensas por enquanto.

Teerã mantém o estratégico Estreito de Ormuz praticamente fechado, enquanto Washington persiste com um bloqueio naval ao Irã.

Trump tem insistido que não se pode permitir que o Irã desenvolva uma arma nuclear como parte de qualquer acordo. No entanto, quase meio ano de guerra não conseguiu obrigar Teerã a renunciar ao seu urânio enriquecido nem a abandonar seus planos declarados de energia nuclear.

Economia da resistência

A economia do Irã, enfraquecida por décadas de sanções internacionais, está sendo submetida a uma dura prova com a guerra.

O país encontrou maneiras de continuar exportando seu petróleo, tendo a China como principal compradora. Teerã opera uma frota fantasma de navios petroleiros, todos sob sanções internacionais.

Em 22 de julho, a inflação havia alcançado 66% nos 12 meses anteriores, ante 46% em fevereiro, e a moeda continuava em queda livre: na quarta-feira, um dólar era trocado por 1,88 milhão de riais, ante 1,65 milhão imediatamente antes do conflito.

Washington anunciou nesta quinta-feira novas medidas contra a rede de financiamento do Hezbollah no Líbano, destacando seus estreitos vínculos com a Guarda Revolucionária do Irã.

Em uma mensagem publicada em maio, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, havia instado as empresas a evitar demissões e os legisladores a adotar medidas destinadas a apoiar a "economia da resistência", que se refere à redução da dependência do mundo exterior.