Mundo

EUA pedem que comunidade internacional corte vínculos com a Nicarágua

Pedido acontece após decisão do governo de Ortega de proibir opositores em eleições

EUA pede que comunidade internacional corte vínculos com a Nicarágua
EUA pede que comunidade internacional corte vínculos com a Nicarágua Foto : Mandel Ngan / AFP / CP

Estados Unidos pedem que seus parceiros encerrem operações com o governo de Daniel Ortega após decisão de proibir opositores em eleições

Os Estados Unidos pediram nesta quarta-feira que seus parceiros cortem seus vínculos com a Nicarágua, após a decisão do Congresso do país centro-americano de proibir a participação de opositores em eleições, segundo uma declaração do secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Washington pede nesse comunicado que seus aliados internacionais "encerrem imediatamente as operações habituais com essa ditadura brutal" do presidente Daniel Ortega e de sua mulher e copresidente, Rosario Murillo.

"As ditaduras que negam os direitos inalienáveis de seus cidadãos não deveriam gozar dos mesmos benefícios econômicos ou políticos que os governos comprometidos com a defesa da paz e da segurança hemisféricas", advertiu Rubio.

A votação na Assembleia Nacional nicaraguense "erodiu ainda mais a ficção da democracia na Nicarágua", denunciou o chefe da diplomacia americana.

Ortega critica Estados Unidos

Sem mencionar a condenação de Rubio, Ortega disse na noite de hoje que os Estados Unidos são "o inimigo de" países como a Nicarágua.

"Simplesmente por serem uma potência militar mundial, sentem-se no direito de agredir em qualquer parte do mundo", criticou o presidente, no aniversário do Exército de seu país, ao qual agradeceu pelo apoio à emenda.

Veja Também

"Aos que nos ameaçam constantemente, aqui está um povo e um Exército que não se vendem nem se rendem jamais", acrescentou Ortega, que governa com poder absoluto e um forte controle da sociedade nicaraguense após os protestos de 2018, cuja repressão deixou cerca de 300 mortos, segundo a ONU, e centenas de milhares de exilados.

Washington aumentou nos últimos meses a pressão econômica e diplomática sobre Manágua, com sanções contra as principais figuras do regime e também mobilizando seus aliados na América Latina, mediante comunicados conjuntos.

"A Administração Trump segue comprometida a identificar e implementar ações para abordar as violações dos direitos humanos do regime de Murillo-Ortega, inclusive em fóruns como a Organização dos Estados Americanos" acrescentou o texto.

Washington e seus aliados regionais conseguiram que a OEA aprovasse em 19 de agosto a convocação de uma reunião "urgente" de chanceleres da região, uma medida incomum.

A OEA vai celebrar um Conselho Permanente na quinta-feira para abordar a data e o local desse encontro.