O ex-presidente peruano Ollanta Humala foi libertado nesta sexta-feira de uma prisão em Lima, após um tribunal anular sua sentença de 15 anos por lavagem de dinheiro relacionada ao recebimento de repasses da empreiteira brasileira Odebrecht.
O ex-militar deixou a prisão por volta das 19h40 locais, em um veículo protegido por policiais e cercado por um grupo de apoiadores. Ele estava preso desde abril de 2025 por receber US$ 3 milhões da Odebrecht para sua campanha vitoriosa de 2011.
Humala, que governou o país até 2016, era um dos quatro ex-presidentes peruanos que cumpriam pena em uma prisão exclusiva localizada em uma base policial no leste de Lima.
"Fomos vítimas de perseguição política e judicial. Fui sequestrado pelo Estado e por sicários do sistema de Justiça", declarou o ex-presidente ao deixar a prisão. A "perseguição me obrigou a asilar minha mulher e tirar meus filhos do país", continuou, com a voz embargada.
A ex-primeira-dama Nadine Heredia foi condenada no mesmo caso e buscou asilo político no Brasil, onde vive desde então.
O Tribunal Constitucional publicou ontem uma sentença que anulou a condenação de Humala, por considerar que os repasses que ele recebeu de terceiros para suas campanhas eleitorais não constituíam crime quando ele era candidato. Humala também teria recebido US$ 200 mil do governo venezuelano em 2006, quando perdeu a disputa para Alan García. O ex-presidente negou hoje ter recebido essas quantias.