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Extrema direita inicia negociações para governar região da Alemanha

Legenda conquistou uma vitória eleitoral histórica que envia um sinal a outros países europeus

Carismático líder regional, Ulrich Siegmund, de 35 anos, prometeu endurecer a política migratória
Carismático líder regional, Ulrich Siegmund, de 35 anos, prometeu endurecer a política migratória Foto : Odd Andersen / AFP / CP

O partido de extrema direita AfD começou a sondar outros partidos nesta segunda-feira (7) para governar uma região pós-comunista da Alemanha. A legenda conquistou uma vitória eleitoral histórica que envia um sinal a outros países europeus que organizarão eleições nos próximos meses.

O sucesso da Alternativa para a Alemanha (AfD) na região de Saxônia-Anhalt, leste do país, representa uma grande derrota para os conservadores da União Democrata Cristã (CDU). Eles governam em nível nacional sob a liderança do chanceler Friedrich Merz e até agora controlavam o Executivo regional.

A AfD, um partido anti-imigração e pró-Rússia, obteve quase 44% dos votos, contra 17% para a CDU. A CDU governava até agora Saxônia-Anhalt, uma região do leste que integrava a extinta Alemanha Oriental.

Seu carismático líder regional, Ulrich Siegmund, de 35 anos, prometeu endurecer a política migratória. Ele também quer eliminar a obrigatoriedade de frequentar a escola e modificar o conteúdo da disciplina de História nos colégios, que para ele é excessivamente centrado na culpa da Alemanha do Terceiro Reich.

A AfD precisa de três cadeiras para alcançar a maioria absoluta no Parlamento regional e já iniciou conversações para a formação do governo. Siegmund poderia tentar obter apoios na CDU ou contar com o respaldo, ao menos tácito, da legenda pró-Rússia de esquerda Aliança Sahra Wagenknecht (BSW).

Terremoto político na Alemanha

As eleições provocaram um terremoto político na Alemanha, um país em que a extrema direita não governa nenhuma região desde 1945. Além disso, o sentimento de culpa pelos crimes do nazismo está profundamente enraizado.

O triunfo da extrema direita acontece em uma região empobrecida do leste, onde a AfD soube aproveitar o sentimento de nostalgia pelos anos da Alemanha Oriental comunista. Houve também ressentimento pela persistente desigualdade em relação ao oeste, décadas depois da queda do Muro de Berlim em 1989.

Merz, cuja popularidade caiu a mínimos históricos, disse nesta segunda-feira que está "profundamente consternado" com os resultados. "Minha determinação em seguir pelo caminho das reformas permanece intacta", declarou, no entanto, o líder conservador. Ele acrescentou que tentará explicar "melhor" suas medidas.

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Repercussão internacional

No cenário internacional, o resultado eleitoral em Saxônia-Anhalt também gerou inúmeras reações. Vários países europeus se preparam para celebrar eleições em breve, incluindo a Suécia em setembro e França, Espanha e Itália em 2027.

O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, advertiu que a "ameaça extremista (...) ganha espaço na Europa e no mundo".

Na França, onde os ultradireitistas do Reagrupamento Nacional (RN) lideram as pesquisas para as eleições presidenciais de abril de 2027, dois aliados do presidente Emmanuel Macron (centro-direita) defenderam que as legendas moderadas de centro, esquerda e direita apoiem um único candidato capaz de derrotar Marine Le Pen.

No entanto, os líderes do RN, que romperam relações com a AfD apesar de posições semelhantes contra a imigração, limitaram-se a dizer que "tomaram nota".

Em contrapartida, a vitória da AfD foi celebrada por simpatizantes do presidente Donald Trump nos Estados Unidos. O ex-embaixador dos Estados Unidos na Alemanha durante o primeiro mandato de Trump, Richard Grenell, classificou os resultados como "uma grande vitória e um novo dia na Alemanha".

Elon Musk também aplaudiu o sucesso da legenda alemã e afirmou "muito bem", em resposta a uma publicação da copresidente nacional da AfD, Alice Weidel.

Implicações nacionais e rejeição

Para a AfD, principal partido de oposição em nível federal, as implicações do resultado também são nacionais. "Nunca um chanceler foi tão impopular como Friedrich Merz", declarou Weidel à imprensa. Ela afirmou que o objetivo de seu partido é alcançar pelo menos 40% dos votos nas legislativas de 2029.

A popularidade de Merz, que chegou ao poder em maio de 2025 com promessas de endurecer a política migratória, desabou nas pesquisas. Foi prejudicada por uma economia em baixa, por disputas com os social-democratas - com quem governa em coalizão - e por várias gafes.

Uma conhecida representante da comunidade judaica da Alemanha, Charlotte Knobloch, disse estar horrorizada. "Nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar que a extrema direita voltaria a vencer eleições na Alemanha".

Milhares de manifestantes protestaram nesta segunda-feira no Portão de Brandemburgo, em Berlim, sob o lema "Frear a AfD". "A democracia em nosso país está atualmente sob uma grave ameaça", afirmou Marie-Therese Hattendorf à AFP.