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Extrema direita tem vitória histórica na Áustria

Partido da Liberdade (FPÖ) obteve 28,8% dos votos, um aumento de 13 pontos em relação às eleições de 2019

Herbert Kickl, líder da extrema direita, comemorou resultado nas eleições
Herbert Kickl, líder da extrema direita, comemorou resultado nas eleições Foto : Alex HALADA / AFP/CP

Cinco anos depois de um fracasso, a extrema direita austríaca conseguiu uma vitória histórica nas eleições legislativas deste domingo (29), mas sem garantia de que poderá governar.

"Saboreiem este resultado. Juntos fizemos história hoje (...) O que conseguimos supera todos os meus sonhos", disse o líder da extrema direita na Áustria, Herbert Kickl, a seus entusiásticos apoiadores reunidos em Viena.

O Partido da Liberdade (FPÖ) obteve 28,8% dos votos, um aumento de 13 pontos em relação às eleições de 2019, segundo a apuração de quase todos os votos.

Os conservadores da atual formação governante, o Partido Popular da Áustria (ÖVP), liderados pelo chanceler Karl Nehammer, ficaram em segundo lugar, com 26,3% dos votos.

"Não conseguimos alcançar" a extrema direita, lamentou Nehammer ao se dirigir a seus apoiadores.

No entanto, Kickl está longe de ter garantido o cargo de chefe do governo e pode até ficar fora de um gabinete de coalizão, já que nenhum partido quer se associar com o seu.

Em declarações após o anúncio das primeiras projeções, o líder afirmou que, após essa "mensagem tão clara" do eleitorado, estenderá a mão a todos os partidos do Parlamento.

O país deve "voltar a se conectar com as necessidades da população", afirmou Kickl. "Nossa mão está estendida em todas as direções", disse.

Em um contexto de ascensão dos partidos de extrema direita na Europa, a legenda fundada por antigos nazistas registra resultados melhores do que apontavam as pesquisas.

Após cinco anos de uma aliança inédita entre conservadores e ecologista no governo, o avanço da extrema direita representa um terremoto na Áustria, onde o FPÖ já integrou o governo, mas nunca foi o partido mais votado em um pleito nacional.

Nehammer, que nas últimas semanas conseguiu reduzir as distâncias com o FPÖ, reconheceu neste domingo na sede de seu partido a decepção de seus militantes e prometeu "continuar lutando pelos interesses do povo".

- Popularidade crescente -

Desde 2021, quando Herbert Kickl assumiu a liderança do partido, marcado por escândalos de corrupção, a popularidade da legenda cresceu graças à irritação dos eleitores com temas como imigração, inflação, e as restrições pela covid, como aconteceu com outros partidos de extrema direita na Europa.

O ex-ministro do Interior, de 55 anos, fez campanha para as legislativas, nas quais mais de 6,3 milhões estavam aptas a votar entre os nove milhões de habitantes do país, com slogans como "Ouse tentar algo novo".

O FPÖ integrou o Executivo pela primeira vez em 2000, o que gerou protestos no país e sanções da União Europeia.

Na campanha, Kickl criticou as sanções da União Europeia contra a Rússia, atacou o atual governo e defendeu o conceito de "remigração", que consiste em retirar a nacionalidade de pessoas de origem étnica estrangeira que não teriam se integrado ao país.

Possíveis alianças

O conservador Nehammer, 51 anos, apresentou o discurso de um partido "no centro" do espectro político, apesar da sua posição contundente sobre a imigração.

O chanceler reiterou sua recusa a trabalhar com Kickl, que se autodenomina o futuro "Volkskanzler", o chanceler do povo, um termo usado com Adolf Hitler na década de 1930.

"Há muito em jogo", insistiu, depois de votar neste domingo, em referência às eleições decisivas para o futuro da Europa e à guerra na Ucrânia.

Apesar da queda de mais de 10 pontos na popularidade dos conservadores na comparação com 2019, o ÖVP, no poder desde 1987, deverá – exceto surpresas – conservar o posto de chefe de governo, embora as negociações para encontrar aliados prometam ser longas.

Com a ampla vitória do FPÖ confirmada, os conservadores não aceitarão ser o parceiro minoritário, apontam os analistas. Provavelmente, optarão por unir forças com os social-democratas (21%) e com um terceiro partido, que poderia ser o liberal NEOS.

Com os Verdes em queda expressiva (9%), há muitos pontos de divergência e o divórcio parece definitivo.