O furacão Isaías avança nesta sexta-feira (9) em direção à costa sul dos Estados Unidos no Golfo do México, após alcançar a categoria 2 com ventos máximos sustentados de 165 km/h. Segundo o boletim das 3h (horário de Brasília) do Centro Nacional de Furacões (NHC), o sistema estava localizado a 375 km da foz do rio Mississippi, deslocando-se a 22 km/h. A previsão indica que a tempestade se aproximará da costa ao longo do dia e tocará o solo entre o final da noite de sexta e as primeiras horas de sábado, afetando a região compreendida entre a foz do Mississippi, o Alabama e a Flórida.
O NHC alerta que Isaías pode se transformar brevemente em um grande furacão antes de tocar o solo e, mesmo com previsão de um ligeiro enfraquecimento posterior, permanecerá perigoso. Além dos ventos — característicos da categoria 2, que abrange rajadas entre 154 e 177 km/h —, o ciclone ameaça provocar chuvas intensas, inundações repentinas e elevação do nível do mar. O órgão orienta que os moradores da área sigam as instruções locais e cumpram ordens de evacuação caso sejam emitidas.
Evacuações, estado de emergência e apoio federal
Os governos da Flórida e do Alabama decretaram estado de emergência para dezenas de condados. No condado de Escambia, no noroeste da Flórida, evacuações em áreas costeiras foram ordenadas desde o meio-dia de quinta-feira devido aos riscos de inundação. Na cidade de Pensacola, abrigos foram abertos e equipes de energia elétrica se mobilizaram com equipamentos para conter possíveis apagões.
O secretário do Departamento de Segurança Interna, Markwayne Mullin, informou na rede X que o governo federal coordena respostas com as autoridades locais e pediu preparação à população na rota do fenômeno.
Formação tardia inédita desde 1905 no Atlântico
Primeiro ciclone a atingir o status de furacão na bacia do Atlântico este ano, Isaías formou-se em outubro — a data mais tardia para o primeiro furacão da temporada desde pelo menos 1905, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). Embora a temporada oficial vá de 1º de junho a 30 de novembro, o surgimento do primeiro furacão costuma ocorrer bem antes do décimo mês do ano.
De acordo com a NOAA, essa lentidão no Atlântico contrasta com a intensa atividade no Oceano Pacífico, que registrou diversos furacões ao longo do ano, incluindo o Polo, de categoria 5 máxima. Meteorologistas atribuem a disparidade ao fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico e altera os padrões de ventos e precipitações globais.