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Guerra no Oriente Médio se intensifica com novos ataques e mortes no Líbano

Bombardeios, mísseis iranianos e ataques a infraestruturas ampliam o conflito na região e atingem países do Golfo

Quatro depósitos de petróleo localizados em Teerã e suas imediações foram bombardeados na noite deste sábado, 7
Quatro depósitos de petróleo localizados em Teerã e suas imediações foram bombardeados na noite deste sábado, 7 Foto : AFP / CP

Os acontecimentos mais recentes da guerra no Oriente Médio indicam uma escalada militar com impactos em diferentes países da região, além de reações diplomáticas e humanitárias. Bombardeios, ataques com mísseis e movimentações políticas marcaram o fim de semana, ampliando o alcance do conflito.

No Líbano, o Ministério da Saúde divulgou neste domingo um balanço atualizado das vítimas dos ataques israelenses. Segundo o ministro Rakan Rakan Naseredin, os bombardeios realizados desde segunda-feira já deixaram 394 mortos, entre eles 83 crianças e 42 mulheres.

O conflito também mobilizou manifestações religiosas e apelos internacionais por cessar-fogo. Após a oração do Angelus no Vaticano, o papa Leão XIV pediu o fim das hostilidades. Em sua mensagem, ele afirmou esperar que “o estrondo das bombas cesse, as armas se calem e um espaço para o diálogo se abra, no qual as vozes dos povos possam ser ouvidas”.

No campo político, o Irã enfrenta um momento de transição após a morte do líder supremo Ali Khamenei, ocorrida no primeiro dia dos bombardeios realizados por Israel e pelos Estados Unidos contra o país, em 28 de fevereiro. A Assembleia de Especialistas, órgão responsável por escolher o sucessor, informou que uma maioria já apoia um candidato, mas o nome ainda não foi divulgado.

Ações militares se intensificam

Enquanto isso, os confrontos militares continuam em diferentes frentes. A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou ter lançado mísseis contra as cidades israelenses de Tel Aviv e Beersheva, além da base aérea de Al Azraq, localizada na Jordânia. O grupo também afirmou que as forças armadas iranianas teriam capacidade de manter operações militares intensas por pelo menos seis meses.

"As Forças Armadas da República Islâmica do Irã são capazes de continuar por pelo menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual das operações", afirmou o porta-voz do exército de elite do Irã, Ali Mohammad Naini, citado pela agência de notícias Fars.

Em paralelo, ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos atingiram infraestruturas energéticas iranianas. Quatro depósitos de petróleo e um centro logístico de derivados foram bombardeados em Teerã e arredores, segundo o presidente da empresa estatal responsável pela distribuição de combustíveis, Keramat Veyskaram.

Quatro pessoas morreram, incluindo dois motoristas de caminhão-tanque. Após os ataques, a distribuição de combustível na capital foi temporariamente interrompida, informou o governador Mohmmad Sadegh Motamedi. Este foi o primeiro ataque registrado contra infraestruturas petrolíferas iranianas desde o início do conflito.

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Israel anuncia novos bombardeios

O Exército de Israel também anunciou novos bombardeios contra alvos militares “em todo o Irã” na manhã deste domingo, 8. Em Beirute, um ataque israelense contra o hotel Ramada, no centro da cidade, deixou pelo menos quatro mortos e dez feridos, de acordo com o Ministério da Saúde libanês. Os militares israelenses afirmaram ter realizado um “ataque de precisão” contra comandantes da Guarda Revolucionária iraniana que operavam no país.

Além das operações militares, a crise provocou deslocamentos diplomáticos. Um grupo de 117 iranianos — entre eles diplomatas e funcionários da embaixada — foi retirado do Líbano a bordo de um avião russo que partiu de Beirute durante a madrugada de sábado para domingo, segundo autoridades libanesas.

Repercussões regionais e diplomáticas

A guerra também já provoca efeitos em outros países do Golfo. Neste domingo, mísseis e drones atingiram diferentes alvos na região. No Kuwait, depósitos de combustível do aeroporto internacional foram atingidos. No Bahrein, três pessoas ficaram feridas após a queda de fragmentos de mísseis, enquanto um drone iraniano danificou uma usina de dessalinização.

Também foram registrados bombardeios na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, onde autoridades confirmaram no sábado a morte de uma pessoa após a queda de destroços em Dubai.

Em Israel, sirenes de alerta antiaéreo foram acionadas na manhã de domingo no norte e no sul do país para advertir sobre a chegada de mísseis lançados do Irã. Apesar do alerta, não houve relatos de vítimas ou danos materiais.

Diante da escalada do conflito, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o país responderá caso seu território seja atacado a partir de bases localizadas em outros países.

“Se o inimigo tentar utilizar o território de um país para lançar uma agressão contra o nosso território, seremos obrigados a responder”, disse.