Após vários dias de calma, a guerra no Oriente Médio foi retomada nesta quarta-feira (29) com bombardeios contra o Irã e ataques sauditas e americanos no Iraque contra grupos apoiados por Teerã.
Os bombardeios aconteceram após uma pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã, em um conflito que envolve cada vez mais aliados das duas partes na região, em particular os grupos armados apoiados pela República Islâmica.
As novas hostilidades provocaram o aumento de mais de 5% do preço do petróleo diante do temor de que os combates afetem o abastecimento mundial de petróleo.
Por sua vez, o Irã lançou mísseis contra bases militares americanas na Jordânia, no primeiro ataque contra os vizinhos do Golfo desde a retomada dos ataques.
"Enquanto as ameaças contra a República Islâmica do Irã persistirem (...) a resistência continuará", afirmou a Guarda Revolucionária em um comunicado.
Em resposta, o presidente Donald Trump disse que vai atacar o Irã "com força". Um pouco antes, a imprensa iraniana relatou bombardeios americanos contra uma cidade no noroeste do país.
"Vamos atacá-los com força. Eles vão levar uma surra", disse Trump, segundo um jornalista do canal Fox News que conversou com ele.
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"Escalada perigosa"
A operação aérea conjunta no Iraque aconteceu após ataques contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita executados por grupos que o reino chamou de "milícias terroristas leais ao Irã". O Exército americano afirmou que o ataque no Iraque atingiu áreas logísticas e de armamentos de um grupo alinhado com o Irã. Segundo Trump, a ofensiva foi coordenada com Bagdá.
A presidência do Iraque, no entanto, denunciou os bombardeios como "um ataque inaceitável e uma flagrante violação da soberania". Segundo a aliança de milícias iraquianas Hashd al-Shaabi, 20 integrantes do movimento morreram no ataque, denunciado como uma "escalada perigosa contra uma instituição oficial de segurança".
A aliança, também conhecida como Forças de Mobilização Popular (FMP), foi criada em 2014 para combater os jihadistas antes de ser formalmente integrada às Forças Armadas iraquianas. O movimento inclui brigadas de grupos pró-Irã conhecidos por ações unilaterais.
Bagdá conta com Washington e Teerã como seus principais aliados, mas a inimizade entre os dois governos transformou o Iraque em um campo de batalha indireto entre Estados Unidos e Irã.
Os ataques aconteceram após a crescente pressão dos Estados Unidos sobre o Iraque para desarmar os grupos pró-Irã em seu território.