O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu, neste sábado, o fim das violações cometidas por Israel na Síria e instou a comunidade internacional a apoiar a transição no País, após mais de 13 anos de guerra civil.
Guterres é o primeiro chefe da ONU a visitar a Síria depois da derrubada, no fim de 2024, do ex-presidente Bashar Al Assad por uma coalizão de rebeldes islamistas.
Seu antecessor, Ban Ki-moon, tinha visitado o País em 2009, dois anos antes do começo da guerra civil, na qual morreram mais de meio milhão de pessoas.
"Ressaltamos a importância de respeitar plenamente a soberania, a independência, a unidade e a integridade territorial da Síria", declarou Guterres em uma coletiva de imprensa.
"O que está acontecendo na região ao redor das Colinas de Golã é totalmente inaceitável", afirmou, ao lembrar que esta localidade, ocupada por Israel desde 1974, é "território sírio".
Ao seu lado, o ministro sírio das Relações Exteriores, Assad al Shaibani, exigiu uma "retirada imediata e incondicional" do setor, onde as forças israelenses avançaram após a queda de Al Assad.
Israel enviou, então, tropas à zona-tampão patrulhada pela ONU nas Colinas de Golã e realizou incursões no território sírio.
As autoridades israelenses dizem que querem manter forças em uma "zona de segurança" no sul da Síria e uma área desmilitarizada mais extensa.
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Apesar destas tensões, Israel e Síria mantiveram várias rodadas de negociações diretas e acordaram estabelecer um mecanismo de intercâmbio de inteligência.
Guterres insistiu que a ONU apoia a Síria em um momento "crucial". "Estamos prontos para apoiar sua transição política, incluindo seus esforços para garantir a justiça de transição, redigir uma Constituição permanente e realizar eleições livres e justas", assegurou.
Encontro com presidente sírio e pedido de transição
Segundo a mídia estatal, Guterres reuniu-se com o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, após visitar a Cidade Velha de Damasco.
Desde que al-Sharaa assumiu o poder, em dezembro de 2024, a comunidade internacional tem instado as novas autoridades islamistas a estabelecer um sistema de governança que inclua todos os segmentos da sociedade síria, multiétnica e multirreligiosa.
O chefe da ONU também visitou uma força de manutenção da paz da ONU, estacionada nas Colinas de Golã (sul), parte das quais foram anexadas unilateralmente por Israel em 1981.
Crise humanitária e retorno de refugiados
A guerra na Síria destruiu a infraestrutura do País e obrigou milhões de pessoas a fugir.
Desde a deposição de Assad, cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas internamente e 1,7 milhão de refugiados no exterior retornaram, segundo a ONU.
Segue havendo cerca de 5,5 milhões de deslocados internos e outros seis milhões no exterior.
Muitos sírios vivem na pobreza, e se estima que 15,6 milhões de pessoas precisem de ajuda humanitária para sobreviver.