O movimento islamista Hamas afirmou, nesta sexta-feira, 31, que aceitou um acordo para acabar com a guerra em Gaza, que inclui seu desarmamento e a retirada gradual do Exército de Israel do território palestino.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, considerou "inaceitável" nesta sexta-feira o acordo anunciado na noite de quinta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Suspender os combates contra o movimento islamista palestino "equivale a aceitar que o Hamas prepare o próximo massacre", escreveu no Telegram, em referência aos ataques de 7 de outubro de 2023, nos quais 1.221 pessoas foram mortas e outras 251 foram sequestradas.
O desarmamento do grupo islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, é um dos principais obstáculos para encerrar a guerra com Israel após o cessar-fogo assinado em outubro.
Uma fonte política israelense disse à AFP que não haverá "nenhuma retirada" sem um "verdadeiro desarmamento" do Hamas. Segundo Trump, o desarmamento é uma fase crucial para avançar em direção à instalação de um novo governo palestino no território.
Fontes do Hamas confirmam acordo
Duas fontes do alto escalão do Hamas, que falaram sob a condição de anonimato, confirmaram à AFP um acordo com Israel para o desarmamento do grupo e a retirada do Exército israelense de Gaza. As fontes esperam que os mediadores e o Conselho da Paz garantam que os israelenses cumpram o que foi estabelecido e supervisionem o processo de desarmamento do grupo.
O Hamas está fazendo "concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento", declarou Ghazi Hamad, um dos negociadores do movimento. "Israel não vai interferir na questão do desarmamento", disse Hamad. Segundo ele, a tarefa será responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).
Segundo uma fonte diplomática que acompanha as negociações, as armas serão entregues a este órgão de tecnocratas palestinos, que deverá administrar, durante o período de transição, a vida cotidiana em Gaza. "Finalmente, o pesadelo mais longo do mundo vai terminar", declarou à AFP Mohamed Hamduna, um professor deslocado de 35 anos.
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População pagou o preço "com sangue"
"Finalmente o Hamas aceitou entregar suas armas, mas Gaza ficou destruída. A população pagou o preço com sangue. O Hamas não deveria ter nenhum papel em Gaza", acrescentou. Ahmed Aal, taxista de 37 anos, não está otimista. "Israel não respeita os acordos, vão encontrar algum pretexto para retomar os combates", afirmou.
Negociações aconteciam há semanas no Egito para implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que tem como objetivo pôr fim de forma definitiva à guerra. Mas os analistas duvidam que Israel, que controla mais de 60% do território, estaria disposto a se retirar rapidamente de Gaza. "Com a proximidade das eleições (legislativas de outubro), não há maneira de que (o primeiro-ministro Benjamin) Netanyahu autorize uma retirada ou reconstrução em Gaza.
Isto seria o equivalente a um suicídio político", disse Muhamad Shehada, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Internacionais. O conflito começou com o ataque do Hamas em 2023. A retaliação israelense contra Gaza deixou mais de 73.000 mortos, segundo os dados do Ministério da Saúde do governo liderado pelo Hamas.Apesar da trégua, a violência continua na Faixa. Na quinta-feira, bombardeios israelenses mataram ao menos quatro pessoas, incluindo duas crianças, segundo autoridades de saúde da região.
"Implementação"
O Conselho da Paz confirmou que o Hamas havia "aceitado um mapa do caminho detalhado para implementar as próximas fases do cessar-fogo em Gaza" e que "começará em breve uma transição gradual". Segundo Trump, uma vez que o Hamas estiver desarmado, "as forças israelenses vão se retirar e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade sobre Gaza".
A Força Internacional de Estabilização é uma estrutura em processo de criação que reunirá tropas de vários países sob a direção do Conselho da Paz.O Hamas anunciou no início de julho a dissolução do comitê que administrava os assuntos civis da Faixa de Gaza desde 2007 e declarou querer transferir estas responsabilidades ao NCAG.