Os houthis do Iêmen reivindicaram, neste sábado, os ataques contra "locais sensíveis" em Riade, a primeira ofensiva desde que foi reativado o conflito no Oriente Médio contra a capital saudita, onde houve explosões e um incêndio perto do aeroporto. Nas últimas semanas, o grupo pró-iraniano, que controla boa parte do Iêmen, realiza uma ofensiva relâmpago com a qual tomou amplas extensões do território do governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita.
Os bombardeios sauditas contra as posições houthis não conseguiram diminuir seu avanço por todo o litoral iemenita no Mar Vermelho, que permite a eles controlar o estratégico Estreito de Bab el Mandeb. Esta passagem liga a Ásia à Europa através do Canal de Suez e se tornou a principal via de exportação do petróleo saudita desde o fechamento pelo Irã do Estreito de Ormuz, do outro lado da península arábica.
O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, disse no Telegram que o ataque, realizado com "uma grande quantidade de mísseis balísticos, de cruzeiro e drones" foi "em resposta às tentativas criminosas do inimigo saudita de atacar a capital, Saná". Também reivindicou uma operação contra as instalações da petroleira estatal saudita em Yanbu, cidade portuária no Mar Vermelho.
As autoridades sauditas não responderam à declaração, nem emitiram nenhuma informação sobre as explosões, nem sobre o alerta ativado durante a madrugada na capital.
Incêndio perto do aeroporto
Os moradores da capital saudita acordaram com duas fortes explosões durante a madrugada, constataram jornalistas da AFP, e o aeroporto da cidade registrou grandes perturbações durante a manhã. Correspondentes da AFP observaram que um depósito da petroleira estatal Aramco perto do aeroporto estava em chamas, antes que os bombeiros conseguissem extinguir o fogo.
Durante a manhã, o site especializado Flightradar24 informou que vários voos foram cancelados ou sofreram atrasos em Riade, mas à tarde o tráfego aéreo já havia retornado ao normal. A retomada do conflito no Iêmen provocou um aumento dos ataques contra a Arábia Saudita por parte dos houthis.
- Capital saudita emite primeiro alerta aéreo desde retomada dos combates no Iêmen
- Arábia Saudita promete resposta firme a ataques houthis
- Ataques de rebeldes houthis do Iêmen deixam 73 feridos na Arábia Saudita
Nesta semana, Riade acusou os houthis de atacarem Meca, a cidade sagrada do islã que recebe todos os anos milhões de peregrinos, mas o grupo pró-iraniano chamou a acusação de "mentira". Até o momento, a maioria dos ataques houthis se direcionou contra instalações petrolíferas e bases militares no sul ou na costa do Mar Vermelho, sem atingir a capital. "A região está sob uma ameaça aérea hostil", alertou uma mensagem enviada aos moradores de Riade em seus telefones pouco antes das 3h locais (21h de sexta-feira, no horário de Brasília), na qual eram orientados a permanecer em casa.
"Espiral de escalada"
A guerra no Iêmen começou em 2014, quando os houthis tomaram o controle da capital, Saná, e depois de outras regiões, o que desencadeou, em março de 2015, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita. Uma frágil trégua alcançada em 2022 entre as partes beligerantes foi rompida em julho, no âmbito da guerra regional iniciada com os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O avanço dos houthis pela costa do Mar Vermelho gera preocupação nos mercados internacionais, mas o grupo pró-Irã insiste que não existe nenhuma ameaça ao tráfego marítimo, exceto para a Arábia Saudita, principal exportador de petróleo do mundo. Nas últimas horas, os confrontos entre os combatentes pró-Irã e as forças governamentais deixaram 48 mortos, 17 soldados do exército e 31 combatentes houthis, informaram à AFP fontes militares dos dois lados. Para Anna Jacobs, do Arab Gulf States Institute, em Washington, a Arábia Saudita e os houthis estão "presos em uma espiral de escalada".
Riade "vai reagir" aos ataques, mas sabe que "a única forma de acabar com esta situação passa pelas negociações".
Desde a retomada dos combates, a ONU calcula que mais de 112.000 pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e quase 3.000 fugiram pelo mar em direção ao Djibuti, na outra margem do Estreito de Bab el-Mandeb.