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Incêndios assolam Bordeaux e seguem fora de controle na Espanha

Chamas provocaram a evacuação de 325 mil pessoas

Grandes incêndios assolam a Europa
Grandes incêndios assolam a Europa Foto : Oscar Del Pozo / AFP / CP

Incêndios florestais de grandes proporções devastam dezenas de milhares de hectares e forçam a evacuação de 325 mil pessoas na França e na Espanha, com Bordeaux e Madri sitiadas pelas chamas que reduzem casas e comércios a cinzas.

Os focos estão localizados entre 25 e 30 km de Bordeaux e a 15 km de sua região metropolitana, em Gironde, no sudoeste da França, informa o prefeito Thomas Cazenave neste domingo (26), que não prevê uma evacuação. Uma fumaça alaranjada escurece o céu sobre os portos da cidade ao amanhecer deste domingo, acompanhada por um forte cheiro de queimado nas ruas.

Situação "muito desfavorável"

"A situação continua muito desfavorável" na região da Gironde, mundialmente famosa pelos seus vinhedos, mas também nos departamentos de Landes (sudoeste) e Var (sudeste), declara o ministro do Interior, Laurent Nuñez, neste domingo.

Milhares de bombeiros exaustos, auxiliados por 1,5 mil soldados e 1,2 mil policiais, combatem as colunas de fogo que consomem quase tudo em seu caminho e forçam o fechamento de uma importante rodovia e a interrupção dos serviços ferroviários ao sul de Bordeaux.

Desolação em porge

"Não sobrou nada. Tudo queimou", lamenta Mathieu Plessis no sábado, ao retornar à sua cidade natal, Porge (sudoeste). "Essa é a minha casa, ou melhor, era a minha casa. Não vejo nada, só desolação", disse o fabricante de bicicletas elétricas à AFP, descrevendo a casa onde sua avó nasceu.

Mais de 50 mil pessoas tiveram que deixar suas casas perto de Bordeaux, elevando o número total de evacuados para mais de 220 mil somente por causa desse incêndio, que devastou 42 mil hectares, anunciam as autoridades neste domingo.

Previsão de piora

Aurore Vigreux, uma advogada de 38 anos que mora em Le Barp, se refugia na casa do ex-marido com a filha e vários animais: um cachorro, dois coelhos e um gato. "Não é que eu esteja com medo, estou consternada ao ver o fogo avançando e não haver nada que me dê esperança."

"Ainda há ventos fortes e a previsão é de uma onda de calor para a próxima semana, então a situação vai piorar ainda mais", diz ela à AFP. As chamas e os ventos forçam o fechamento da principal rodovia A63, que liga Bordeaux à fronteira com a Espanha, informam as autoridades regionais. A empresa ferroviária SNCF também suspende parte do tráfego.

Fogo imprevisível

O calor causa redemoinhos que tornam o incêndio florestal "errático e incontrolável", diz o capitão dos bombeiros Nicolas Braz. Cestas, uma cidade de 17 mil habitantes perto de Bordeaux, "está felizmente deserta", declara o seu prefeito Jérôme Steffe, à BFMTV.

"Este incêndio é imprevisível e, sempre que pensamos que vencemos uma batalha, infelizmente, ele nos surpreende da pior maneira possível", acrescenta. "Hoje é impossível dizer onde vai parar", afirma. Outro incêndio continua muito ativo no departamento de Var. Já queimou mais de 3 mil hectares em cinco dias. As chamas também consomem uma parte da ilha turística da Córsega há dias.

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"Horas complexas" na Espanha

Na Espanha, os bombeiros estão sobrecarregados com os incêndios florestais que assolam os arredores de Madri e também Valência, no leste do País, onde uma pessoa morre. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, alerta que "horas complexas" estão por vir, mas considera a noite "muito positiva".

Na noite de sábado, o presidente da região valenciana, Juanfran Pérez Llorca, informa sobre a evacuação de "cerca de 15 mil pessoas" em Castellón (leste). No sábado, as províncias de Madri e Ávila continuam sendo afetadas pelos incêndios, assim como Toledo, que também faz fronteira com a Capital.

Emergências climáticas

As chamas ao redor de Madri já queimaram 25 mil hectares e forçaram a evacuação de cerca de 60 mil pessoas, segundo as autoridades. "Os incêndios sempre existiram", diz Sánchez neste domingo em Ávila, "mas com o agravamento nos últimos anos, devemos dar uma resposta adequada e proporcional à magnitude dessas emergências climáticas".

As florestas pegam fogo com mais facilidade porque a vegetação e o solo estão muito secos há meses, um fenômeno agravado pelas ondas de calor excepcionais de junho e julho. É precisamente a mudança climática, causada principalmente pela queima contínua de petróleo, carvão e gás, que piora a seca atual, concluem climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado na quinta-feira.