Mundo

Incerteza por tarifas dos EUA deve atingir mais economias latinas, diz comitê

Cepal avalia desafios para as nações do continente

Pressão norte-americana cobra preço de crescimento
Pressão norte-americana cobra preço de crescimento Foto : Pedro UGARTE / AFP / CP

A incerteza desencadeada no comércio mundial pelas tarifas impostas por Donald Trump deve atingir "um pouco mais" as economias latino-americanas em 2026, indicou à AFP nesta segunda-feira o secretário-executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), José Manuel Salazar-Xirinachs.

Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos mexe no comércio mundial ao impor tarifas de amplo alcance tanto a aliados quanto a adversários. Essa política ganhou novo impulso no mês passado, quando Washington anunciou tarifas de 10% a 12,5% para 60 parceiros comerciais.

O secretário-executivo da Cepal ressaltou, em entrevista à AFP, que a política tarifária adotada pelos Estados Unidos "afetou vários países da América Latina", mas também "atingiu outros países concorrentes, então o efeito líquido não foi tão negativo". O impacto "não foi tão negativo em 2025, mas esperamos que em 2026 ele possivelmente seja um pouco maior" na região.

As tarifas criam dificuldades para alguns países, porém, mais além de casos pontuais, seu "zigue-zague" se soma à "incerteza", uma situação também alimentada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, disse o secretário.

Salazar-Xirinachs destacou que, apesar da situação complexa, a economia global permaneceu "relativamente resiliente", graças, em parte, ao boom de investimentos em inteligência artificial.

A Cepal vai anunciar nesta semana novas projeções econômicas para 2026 e 2027 relacionadas às economias da região, que deve enfrentar, nas próximas décadas, o envelhecimento da população "ao dobro da velocidade observada na Europa", destacou em Montevidéu o chefe da Cepal.

Estima-se que haja, em 2026, 101 milhões de pessoas com mais de 60 anos na região, o que representa cerca de 15% do total. Até 2050, a previsão é de que 25% da população esteja nessa faixa etária.

O aumento do investimento em redes de assistência e a criação de novos postos para maiores de 60 anos no mercado de trabalho são alguns dos desafios para a América Latina, pontuou o economista. Enfrentar o envelhecimento da força de trabalho vai exigir investimento em inovação, acrescentou.