O principal comando operacional da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) anunciou na manhã desta segunda-feira (8) a suspensão de suas operações militares contra Israel, mas advertiu que voltará a agir caso ocorram novos ataques israelenses contra o Líbano, ampliando o escopo de sua estratégia de dissuasão na região.
Em comunicado, o Quartel-General Central da IRGC Khatam al-Anbiya afirmou que as forças iranianas deram uma "resposta dolorosa" a Israel após os ataques atribuídos ao país no Sul do Líbano e na região de Dahiyeh, nos arredores de Beirute. Segundo a nota, as ações foram realizadas em apoio ao povo libanês e deveriam servir de "lição" para Israel e seus aliados.
"Com base nisso, é anunciada a suspensão das operações das Forças Armadas", declarou o comando militar.
Apesar da interrupção anunciada, o comunicado advertiu que o Irã reagirá com medidas "muito mais severas e devastadoras" caso as hostilidades continuem. A IRGC reforçou que qualquer ataque ao Líbano, seja em Beirute ou no sul do país, poderá desencadear uma resposta direta da República Islâmica.
A posição representa uma ampliação das linhas vermelhas declaradas por Teerã, com a indicação de que o governo iraniano passará a vincular sua reação militar não apenas a ataques contra seu território, mas também a ações israelenses em território libanês, pontuou a IRGC.
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Golpe ao processo diplomático
Os ataques aconteceram em um momento delicado para os esforços diplomáticos que pretendem obter o fim do conflito, dos quais o Paquistão atua como mediador. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou após o anúncio da suspensão dos ataques contra Israel que seu país não abandonou "nem o campo de batalha nem a mesa de negociações".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que as consultas diplomáticas prosseguiam, mas que o processo poderia ser "afetado" pela escalada do conflito.
Quando ele concedia a entrevista na sede do ministério, no centro de Teerã, uma forte explosão fez tremer o edifício, segundo um jornalista da AFP que acompanhava o encontro.
Jerusalém também acordou nesta segunda-feira com o barulho de explosões e o alerta de ataques aéreos. Em Israel, as autoridades decretaram o fechamento das escolas em todo o território.
O agravamento da crise rapidamente foi refletido nos mercados, muito afetados pela guerra e por suas consequências no Estreito de Ormuz, crucial para o comércio de hidrocarbonetos e bloqueado pelo Irã.
O preço do barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, disparou quase 5% e se aproximou da cotação de 100 dólares, mas voltou a registrar moderação após o anúncio do Irã.
Em um novo motivo de preocupação para os mercados, os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, decretaram a proibição da navegação de navios israelenses pelo Mar Vermelho, outra rota estratégica para o comércio mundial.