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Irã suspende ataques contra Israel, mas cogita novos bombardeios em caso de agressão ao Líbano

Exército iraniano prometeu ações mais severas se hostilidades continuarem na região

Irã suspende ataques contra Israel, mas cogita novos bombardeios em caso de agressão ao Líbano
Irã suspende ataques contra Israel, mas cogita novos bombardeios em caso de agressão ao Líbano Foto : Ahmad Gharabli / AFP

O principal comando operacional da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) anunciou na manhã desta segunda-feira (8) a suspensão de suas operações militares contra Israel, mas advertiu que voltará a agir caso ocorram novos ataques israelenses contra o Líbano, ampliando o escopo de sua estratégia de dissuasão na região.

Em comunicado, o Quartel-General Central da IRGC Khatam al-Anbiya afirmou que as forças iranianas deram uma "resposta dolorosa" a Israel após os ataques atribuídos ao país no Sul do Líbano e na região de Dahiyeh, nos arredores de Beirute. Segundo a nota, as ações foram realizadas em apoio ao povo libanês e deveriam servir de "lição" para Israel e seus aliados.

"Com base nisso, é anunciada a suspensão das operações das Forças Armadas", declarou o comando militar.

Apesar da interrupção anunciada, o comunicado advertiu que o Irã reagirá com medidas "muito mais severas e devastadoras" caso as hostilidades continuem. A IRGC reforçou que qualquer ataque ao Líbano, seja em Beirute ou no sul do país, poderá desencadear uma resposta direta da República Islâmica.

A posição representa uma ampliação das linhas vermelhas declaradas por Teerã, com a indicação de que o governo iraniano passará a vincular sua reação militar não apenas a ataques contra seu território, mas também a ações israelenses em território libanês, pontuou a IRGC.

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Golpe ao processo diplomático

Os ataques aconteceram em um momento delicado para os esforços diplomáticos que pretendem obter o fim do conflito, dos quais o Paquistão atua como mediador. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou após o anúncio da suspensão dos ataques contra Israel que seu país não abandonou "nem o campo de batalha nem a mesa de negociações".

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que as consultas diplomáticas prosseguiam, mas que o processo poderia ser "afetado" pela escalada do conflito.

Quando ele concedia a entrevista na sede do ministério, no centro de Teerã, uma forte explosão fez tremer o edifício, segundo um jornalista da AFP que acompanhava o encontro.

Jerusalém também acordou nesta segunda-feira com o barulho de explosões e o alerta de ataques aéreos. Em Israel, as autoridades decretaram o fechamento das escolas em todo o território.

O agravamento da crise rapidamente foi refletido nos mercados, muito afetados pela guerra e por suas consequências no Estreito de Ormuz, crucial para o comércio de hidrocarbonetos e bloqueado pelo Irã.

O preço do barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, disparou quase 5% e se aproximou da cotação de 100 dólares, mas voltou a registrar moderação após o anúncio do Irã.

Em um novo motivo de preocupação para os mercados, os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, decretaram a proibição da navegação de navios israelenses pelo Mar Vermelho, outra rota estratégica para o comércio mundial.