Israel afirmou nesta segunda-feira (30, data local) que o patriarca latino de Jerusalém terá acesso imediato à Igreja do Santo Sepulcro, depois que a polícia o impediu de celebrar ali a missa do Domingo de Ramos, alegando motivos de segurança. O bloqueio do patriarca, algo inédito há séculos, ocorreu no dia que marca o início da Semana Santa para a Igreja Católica e foi condenado pela responsável pela diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, que denunciou uma “violação da liberdade religiosa”.
No entanto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu reverteu a medida. "Instruí as autoridades competentes para que concedam ao cardeal Pierbattista Pizzaballa acesso total e imediato à Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém”, afirmou o primeiro-ministro.
O Patriarcado Latino, uma diocese católica com fiéis em Israel, nos territórios palestinos, na Jordânia e no Chipre, informou que a polícia impediu a entrada de Pizzaballa e do pároco na Igreja do Santo Sepulcro quando eles pretendiam celebrar a missa do Domingo de Ramos. “Como resultado, e pela primeira vez em séculos, os dirigentes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro”, diz um comunicado do Patriarcado.
"Este incidente constitui um grave precedente e demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo que, durante esta semana, voltam seus olhos para Jerusalém”, destacou o Patriarcado Latino.
Desde que a guerra eclodiu no Oriente Médio em 28 de fevereiro, as autoridades israelenses proibiram grandes aglomerações, inclusive as programadas para sinagogas, igrejas e mesquitas. Os atos públicos estão limitados a 50 pessoas. Mas Netanyahu explicou que, nos últimos dias, o Irã "atacou repetidamente os lugares sagrados das três religiões monoteístas em Jerusalém com mísseis balísticos”, e que, em um desses casos, “fragmentos caíram a metros da Igreja do Santo Sepulcro”.
O premiê indicou que foi para proteger os fiéis que se "abstivessem temporariamente” de visitar os locais religiosos na Cidade Antiga de Jerusalém.
"A guerra não apagará a ressurreição. A dor não extinguirá a esperança”, disse Pizzaballa na missa de Domingo de Ramos, que celebrou mais tarde na Igreja de Todas as Nações, também conhecida como a Basílica da Agonia, no Monte das Oliveiras em Jerusalém. “Hoje não levamos palmas na procissão. Em seu lugar, levamos a cruz: uma cruz que não é um fardo inútil, mas a fonte da verdadeira paz”, disse o cardeal italiano diante de um pequeno grupo de fiéis.