Um juiz declarou nulo, nesta sexta-feira (4), o julgamento de uma americana acusada de matar seus três filhos pequenos. O júri não conseguiu chegar a um veredito unânime no caso de Lindsay Clancy.
Clancy, de 36 anos, admitiu ter estrangulado Cora, de cinco anos, Dawson, de três, e Callan, de oito meses. Ela alegou que sofria de psicose pós-parto, condição que, segundo sua defesa, a isentaria de responsabilidade criminal.
Após sete dias de deliberações, os 12 jurados não conseguiram alcançar a unanimidade exigida nos Estados Unidos. Apenas um integrante do júri se opôs a declarar Clancy inocente por motivo de insanidade.
"Neste momento, vou declarar que o júri chegou a um impasse e vou anular o julgamento", afirmou o juiz William Sullivan.
Agora, caberá à promotoria decidir se o caso será submetido a um novo julgamento com outro júri. "Tomarei essa decisão em breve", declarou Tim Cruz, promotor do condado de Plymouth, Massachusetts.
Kevin Reddington, advogado de Clancy, disse que sua cliente e os demais integrantes do júri foram prejudicados. Ele citou um homem que se recusou a votar por um veredito de inocência.
"Eles foram privados disso por um único homem, seja qual for a sua motivação", criticou Reddington. "Espero que esse sujeito consiga dormir tranquilo à noite."
Clancy permanecerá em uma instituição psiquiátrica enquanto aguarda a definição sobre a realização de um novo julgamento.
Debate sobre saúde mental materna
O julgamento televisionado, que durou cinco semanas, contou com depoimentos de mais de 80 testemunhas. Incluiu relatos emocionais que reacenderam o debate nacional sobre saúde mental materna.
Clancy se declarou inocente por insanidade e alegou ter ouvido uma voz que ordenava a morte dos filhos. Seus advogados sustentaram que ela sofria de psicose pós-parto.
Essa condição, segundo especialistas, afeta aproximadamente uma a duas mulheres a cada mil nascimentos. Isso foi um ponto central na argumentação da defesa.
Os promotores rejeitaram esse argumento e afirmaram que Clancy planejou cuidadosamente os assassinatos. Eles sustentaram que ela era capaz de compreender as consequências de seus atos.
Psiquiatras, pessoas próximas à acusada e seu marido, de quem está separada, estiveram entre as testemunhas. Todos depuseram sobre sua frágil saúde mental durante o processo.
O presidente Donald Trump reagiu ao resultado do processo nesta sexta-feira. "É uma tragédia horrível", disse a jornalistas na Casa Branca. "Presumo que haverá um novo julgamento".
Atendimento médico péssimo
Dezenas de mulheres vestidas de rosa compareceram ao tribunal de Plymouth. Elas demonstravam apoio a Clancy e chamavam atenção para questões relacionadas à saúde das mulheres.
Durante as alegações finais, o advogado de defesa, Reddington, afirmou que sua cliente havia buscado ajuda diversas vezes antes dos assassinatos. Contudo, ela recebeu um "atendimento médico péssimo" dos profissionais que a acompanharam.
Após matar os filhos na residência da família em Duxbury, Massachusetts, em janeiro de 2023, Clancy se jogou da janela do segundo andar. A tentativa de suicídio a deixou paralisada da cintura para baixo.
A ex-enfermeira poderia ser condenada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Isso aconteceria caso fosse considerada culpada de homicídio em primeiro grau.
O júri também tinha a opção de considerá-la culpada de homicídio em segundo grau, homicídio culposo ou inocente por falta de responsabilidade penal. Neste último cenário, ela seria internada em uma instituição psiquiátrica.
O julgamento trouxe à memória outro caso semelhante que chocou os Estados Unidos há 25 anos. Foi o caso de Andrea Yates, uma mãe do Texas que afogou seus cinco filhos em 2001.
Yates foi inicialmente condenada e sentenciada à prisão perpétua. Contudo, em um novo julgamento, em 2006, foi considerada inocente por insanidade e enviada para tratamento em um hospital psiquiátrico.